Desemprego sobe e Hollande perde crédito

Sinais da crise em França

O número de franceses desempregados aumentou pelo 19.º mês consecutivo atingindo a maior cifra dos últimos 15 anos. A estatística foi divulgada quando o presidente, François Hollande, em queda de popularidade, se prepara para aplicar um orçamento que rouba ao povo 30 mil milhões de euros.

Quase metade dos franceses diz estar a empobrecer

Segundo valores oficiais, são já quase 11 por cento da população activa ou mais de três milhões e 100 mil pessoas que se encontram em situação de desemprego. O diário Le Parisien afirma, no entanto, que a taxa é francamente superior à revelada pelos dados governamentais, já que de fora ficam os que já não têm direito a subsídio de desemprego, jovens que nunca estiveram inscritos, trabalhadores a tempo parcial e os que desistiram de procurar emprego.

Entre os jovens, o flagelo é ainda mais preocupante. De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Económicos, quase 25 por cento dos trabalhadores entre os 15 e os 25 anos estão desempregados.

Estes números foram revelados enquanto o parlamento francês aprovava em definitivo o Orçamento de Estado para 2013, documento que aumenta os impostos no valor de 20 mil milhões de euros e procede a 10 mil milhões de euros em cortes na despesa pública.

Antes, o mesmo parlamento aprovou o orçamento rectificativo para o ano de 2012 (denominado pomposamente de Pacto para a Competitividade), outorgando um crédito de 20 mil milhões de euros em benefício das empresas, destinado, diz o governo de François Hollande, a criar entre 300 a 400 mil postos de trabalho.

No entanto, nada obriga as empresas a criarem empregos, criticaram comunistas e movimento sindical, que notam, igualmente, que tardam em aparecer os 150 mil postos de trabalho prometidos para os jovens.

Hollande bem tenta manter a ilusão criada entre o povo francês aquando da sua eleição. A medida de taxar a 75 por cento os rendimentos superiores a um milhão euros anuais, entretanto chumbada pelo Tribunal Constitucional, é qualificada de populista e tendo como objectivo fazer uma cortina de fumo sobre o essencial, não só porque atinge um punhado de famílias, como é facilmente contornável, como também tem um impacto orçamental de menos de meio milhão de euros.

Neste contexto, não é de estranhar que oito meses após a sua eleição, Hollande apenas recolha opinião favorável de 35 por cento dos gauleses. Recentemente, 15 deputados do seu próprio partido divulgaram uma carta aberta na qual exigiam ao presidente que cumpra a promessa de elevar as condições de vida dos trabalhadores, seguindo, aliás, o exemplo de outros 77 parlamentares que instaram o ocupante do Eliseu a cumprir a palavra de dar direito de voto aos imigrantes.

Acresce o facto de uma sondagem recente, elaborada pela Les Echos, afirmar que quase metade dos inquiridos dizer que está a empobrecer.



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