Cuba recebe apoio esmagador na ONU
A rejeição do bloqueio norte-americano a Cuba bateu todos os recordes de votação na Assembleia-geral das Nações Unidas. No total, 188 países exigiram o fim da política criminosa dos EUA e o respeito pela soberania das nações.
Só Israel e Palau votaram com os norte-americanos
Na votação realizada terça-feira, 13, apenas dois países com assento na ONU votaram ao lado dos norte-americanos e do bloqueio que a potência imperialista mantém e agrava há já mais de 50 anos: Israel e Palau. Ilhas Marshal e Micronésia, abstiveram-se.
Tão importante como o resultado do sufrágio, foi o facto de cerca de duas dezenas de representantes se terem manifestado contra o bloqueio na tribuna do plenário, salientando não apenas a sua injustiça mas a violação que aquele representa à Carta das Nações Unidas e ao Direito Internacional.
A abrir o debate, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Parrilla, qualificou o cerco comercial e financeiro de «medida da guerra fria» e de «política inumana, fracassada e anacrónica».
Para Bruno Parrilla, não existe nenhum motivo ou moral que legitime o bloqueio, sustentou, lembrando que este é «a arma de uma minoria cada vez mais exígua, isolada, violenta e soberba que lucra eleitoralmente, desprezando a reclamação da maioria e a determinação dos cubanos em decidirem o seu próprio destino».
Num repto directo ao recentemente reeleito presidente dos EUA, o titular das relações exteriores de Cuba sublinhou ainda que «Obama tem a oportunidade de iniciar uma nova política em relação a Cuba, distinta da dos seus dez antecessores», e manifestou a disposição do governo de Havana para iniciar a normalização das relações com os EUA, pelo que reiterou a proposta de estabelecimento de uma agenda de diálogo bilateral com base na reciprocidade e igualdade.
Um dia depois, confrontado com a votação, um porta-voz da Casa Branca repetiu que «a nossa política mantém-se». Nem a insistência do jornalista da Associated Press arrancou outras considerações a Mark Toner.
Cuba estima que as perdas materiais provocadas pelo bloqueio ascendam a um bilião de dólares, ao que acrescem os incalculáveis prejuízos na vida de gerações de cubanos, múltiplos actos de terrorismo e acções de sabotagem.
O bloqueio foi imposto em Fevereiro de 1962 pelo então presidente J. F. Kennedy, agravando as sanções aplicadas pelos EUA desde o triunfo da revolução cubana, em 1959.
A primeira vez que um texto de condenação do bloqueio foi levado à AG da ONU, em 1992, mereceu a aprovação de 59 países, contra três votos desfavoráveis e 71 abstenções. Em cada uma das restantes iniciativas que se sucederam (com a do passado dia 13 já totalizam 21), o apoio a Cuba e ao seu povo foi crescendo até se tornar uma exigência da esmagadora maioria das nações.