Levantamento de 1973 na Grécia

Luta do presente

Mais de 20 mil pessoas manifestaram-se, no sábado, 17, em Atenas, para assinalar o 39.º aniversário do levantamento estudantil de 1973 contra a ditadura da junta militar.

Manifestações lembram massacre da junta militar

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Sob a vigilância apertada de cerca de sete mil agentes policiais, que ocuparam dia e noite as ruas do centro da capital grega, milhares de manifestantes partiram da Universidade Técnica de Atenas, conhecida como Politécnico, onde há 39 anos os estudantes iniciaram uma revolta que marcaria o fim da ditadura militar.

Cedo de manhã, representantes de vários partidos políticos visitaram o Politécnico para aí prestar homenagem aos 21 estudantes mortos pelo exército que invadiu as instalações à força de blindados. Muitos populares deslocaram-se durante o dia ao politécnico para depositar flores junto ao monumento erguido aos estudantes assassinados.

À tarde, os jovens tomaram as ruas fazendo suas as palavras de ordem de há quase quatro décadas: «Pão, educação e liberdade».

Reflectindo o profundo descontentamento com as infindáveis medidas de austeridade que asfixiam a população e mergulharam a economia numa espiral recessiva, alguns cartazes comparavam a actual situação à vivida nos tempos da ditadura: «Podemos derrubar esta nova junta» ou «A nossa revolta será o vosso pesadelo».

A marcha que tradicionalmente passa pelo Parlamento, na Praça Sintagma, e termina frente à embaixada dos EUA, em protesto contra o apoio norte-americano à junta militar (1967-74), continuou este ano até à representação diplomática de Israel, onde militantes do Partido Comunista da Grécia condenaram os bombardeamentos israelitas contra a Faixa de Gaza.

A data foi também assinalada em Salónica, a segunda maior cidade do país, no Norte, onde cerca de 12 mil pessoas, segundo dados da polícia, se manifestaram contra as políticas de austeridade. Segundo relato da AP, alguns manifestantes queimaram bandeiras da UE, em sinal de protesto contra as condições leoninas impostas ao país, a pretexto da assistência financeira.



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