Novas eleições ao virar da esquina

Pedro Campos

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Estranha «ditadura» esta...

Ainda não se apagaram os ecos da consulta de 7 de Outubro, que confirmaram uma nova vitória das forças progressistas com uma diferença de quase 11 pontos, ou seja mais de 1,6 milhões de votos sobre a direita fascitoide e já estão no horizonte as eleições legislativas a celebrar a 16 de Dezembro. Para este novo processo eleitoral, onde serão eleitos 23 governadores de Estado, 229 membros de assembleias legislativas e 8 representantes indígenas, estão inscritos 17 421 946 votantes (incluindo 186 mil 369 estrangeiros com direito a voto), que se distribuem entre 36 220 mesas eleitorais em 12 784 centros de votação.

Como se recordará, nas presidenciais Hugo Chávez venceu o seu adversário em todos os estados, à excepção de dois: Táchira e Mérida. O primeiro Estado está há muito nas mãos da oposição. Neste momento, a oposição de direita controla ainda outros quatro estados de alta densidade demográfica: Zúlia (região petrolífera de grande importância), Carabobo (importante centro industrial), Miranda (estado onde está a capital) e Monagas.

Segundo os especialistas, as forças bolivarianas têm boas hipóteses de recuperar para a revolução alguns feudos da direita, mesmo assumindo que nem sempre os votos em Chávez são garantia inequívoca de que possam ser transferidos para os candidatos alinhados com a esquerda.

Em Zúlia, volta a ser candidato do processo Arias Cárdenas. Este companheiro de armas de Hugo Chávez, que participou no movimento militar de 4 de Fevereiro de 1992, passou-se durante algum tempo para o campo da direita – chegou mesmo a ser candidato anti-chavista – mas regressou há algum tempo ao ponto de partida. Neste Estado o chavismo obteve 970 825votos (53,34%). Quase 130 mil votos de vantagem abrem boas perspectivas de triunfo para resgatar um Estado tão importante. Em Carabobo o resultado da eleição presidencial favoreceu Hugo Chávez com 651 726 votos (54,48%) e é provável que uma diferença de 114 774 votos seja suficiente para augurar o fim de uma dinastia de governadores que têm tratado este Estado como se fosse um latifúndio de propriedade privada. Em Monagas, onde um trânsfuga se passou para o lado da oposição, a vantagem de Hugo Chávez foi de pouco mais de 80 mil votos, mas a diferença de votos foi quase de 18 pontos. Finalmente, temos o caso de Miranda. Este é o Estado onde é governador Capriles Radonski, que volta a ser candidato ao mesmo lugar depois da derrota nas presidenciais. Para não perder nem o «tacho» nem a figuração política – quem sabe se está cavar um poço ainda mais profundo! – Radonsi decidiu «desbancar» um companheiro de partido, Carlos Ocariz, que tinha obtido o direito a essa candidatura numas primárias da oposição. Seguindo o «exemplo» que vinha de cima, o defenestrado defenestrou outro amigalhaço, recentemente caído em desgraça porque foi filmado a receber dinheiro num acto de corrupção... e assim fica tudo em família!

Neste Estado, por demais emblemático, a diferença de votos a favor de Chávez foi muito pequena: 6860 votos. Contudo, não seria de espantar que a dinâmica de vitória no lado bolivariano e a depressão post-eleitoral no lado fascista, que leva este sector a falar cada vez mais numa fraude1 que só eles viram e numa política de abstenção «porque o árbitro eleitoral não é de fiar», aliado ao facto de que as eleições regionais são algo mais racionais do que as presidenciais, levasse a uma vitória do candidato Elias Jaua, até há pouco vice-presidente da República. O outro lado da moeda é que as forças progressistas vão divididas nalguns estados, entre eles Bolívar e Mérida, o que poderiam trazer alguns dissabores às hostes bolivarianas. Seja como for, parece estar totalmente fora de dúvidas que estas próximas eleições resultaram numa nova vitória do processo em curso e que a maioria dos eleitos estará comprometida com esta revolução inédita em vários aspectos e cujo fortalecimento é indispensável para toda a América Latina, que é hoje um farol de esperança para grande parte da humanidade.

 

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1 Será bom recordar que The Huffington Post escreveu  recentemente o seguinte: «Sem importar o que se possa pensar do presidente venezuelano Chávez e das suas políticas (…) talvez o mais importante seja que o CNE estabeleceu um sistema de votação electrónica transparente e sofisticado, do qual disse recentemente o ex-presidente Jimmy Carter que era «o melhor do mundo».



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