Conspirações, ameaças e subversão

Carlos Gonçalves

O aprofundamento e intensificação da luta de massas e a participação crescente dos trabalhadores e de outros e novos sectores sociais no combate ao pacto de agressão e aos seus objectivos e efeitos, ao roubo violento de direitos e salários, ao empobrecimento massivo forçado, à catástrofe social premeditada e ao desastre brutal do País, criam condições para novas e mais avançadas convergências de luta e suscitam dificuldades e contradições entre os responsáveis da situação – a troika nacional da ignomínia e da subserviência, do PS, PSD e CDS.

Estão à vista os conflitos entre os partidos da política de direita e os seus barões e são claras as encenações de divergências e «passa culpas», destinadas a permitir aos grandes interesses, face ao colapso próximo do Governo, dispor de actores e trunfos para tentar impedir que também se afunde o pacto de agressão e a sua política. É este o momento da «politiquice» e mistificação, das conspirações, ameaças e golpes para aprofundar a roubalheira e travar a inevitável derrota da política de direita.

A coreografia do PS de aprovação urgente do OE, a pretexto do PR requerer a apreciação da sua constitucionalidade, é uma mistificação que na realidade nada alteraria. Mas o PS conseguiria um OE relâmpago, para diminuir a luta de massas e somar mais uma «razão» para não lutar, de facto, na rua e na AR, contra este extermínio económico e social. O OE teria uma «inevitabilidade» reforçada e o PS seria mais «violento» na abstenção, uma vez garantidos os desígnios do pacto de agressão.

E a espiral de provocação com a «subida do risco de segurança» (uma produção SIS-Expresso), a conspiração de Vanzeller, Bobone e outros «caceteiros», instigada pelas ameaças de Passos Coelho e visando a intimidação, repressão e “criminalização” da luta de massas. No fundo, a outra face do desígnio de «refundação do Memorando», isto é, o passo seguinte do projecto do grande capital e da política de direita – reconfiguração do Estado, perversão do regime democrático e revisão subversiva da Constituição de Abril.

É urgente a luta de massas, a afirmação do Partido e a convergência dos democratas e patriotas, para derrotar a subversão e afirmar os valores de Abril no futuro de Portugal.



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