Estratégia imperialista falha
Um novo escândalo envolvendo a ocupação do Afeganistão salienta a falência da estratégia dos agressores imperialistas, cujas operações continuam a cobrar a vida de civis.
Doze pessoas morreram em ataques ocupantes
Segundo um relatório elaborado pelo inspector norte-americano para a «reconstrução», John Sopko, uma empresa encarregada de montar dispositivos de detecção e dissuasão de engenhos explosivos em estradas principais do país cumpriu miseravelmente a tarefa contratada ou, na maioria dos troços, não a cumpriu de todo.
No documento, citado pela Russia Today, considera-se o caso como uma potencial fraude de centenas de milhares de dólares, mas não se desvenda se o mesmo comportamento se observa em relação a outros serviços adjudicados com o mesmo propósito.
A RT calcula que, ao longo de dez anos de ocupação, o Pentágono já terá gasto 50 mil milhões de dólares com o objectivo de combater os atentados à bomba perpetrados pelos grupos armados contra as tropas imperialistas.
Num artigo publicado pela Inter Press Service, por outro lado, o jornalista e historiador Garth Porter, especialista em questões de defesa dos EUA, cita números oficiais para afirmar que pelo menos 18 mil milhões de dólares foram gastos em robôs, câmaras e outros instrumentos de elevada complexidade para o mesmo fim.
Resultado trágico
Montante à parte, o facto é que, como sustenta Porter, a estratégia ocupante, também nesta matéria, faliu.
Entre 2009 e 2011, terão sido vítimas de atentados 59 por cento dos cerca de 14 600 militares mortos e feridos (ligeiros, politraumatizados, amputados, etc.) no território. A cifra resultará da conjugação de três factores: o incremento substancial deste tipo de ataques por parte dos insurrectos; a incapacidade revelada pelos instrumentos comprados pelos ocupantes para deter ou minimizar os atentados; a estratégia implementada pelo comando norte-americano, que decidiu aumentar radicalmente o número de patrulhas a pé com o pretexto de criar laços com a população, e, por essa via, arrancar os afegãos à influência taliban, neutralizando-lhes pontos de apoio.
O resultado é trágico, conclui-se da pesquisa coligida por Garth Porter, que lembra que, já em Janeiro de 2011 o general John Oates, responsável pela unidade de coordenação do combate aos engenhos explosivos, admitia ao Washington Post que os EUA estavam a perder a guerra neste particular, e que a destruição de toda a rede [de compra de materiais, fabricação, transporte e colocação das bombas] pode ser mesmo impossível».
Em 2012 têm assumido maior relevância os chamados ataques internos, levados a cabo por membros das forças armadas e da polícia afegãs contra contingentes ocupantes. Para já, a ISAF limitou muitíssimo a realização de patrulhas conjuntas visando travar a proliferação de incidentes, que este ano aumentaram 45 por cento face a 2011 e provocaram a morte a mais de meia centena de militares.
Vítimas civis
Entretanto, operações militares levadas a cabo pelas forças norte-americanas cobraram a vida a pelo menos uma dúzia de pessoas, entre os quais estarão quatro crianças.
Os menores terão sido mortos durante um bombardeamento realizado sábado na província de Logar, enquanto que as restantes oito vítimas perderam a vida em acções semelhantes, domingo e segunda-feira, nas províncias de Kandahar e Wardak.
Já na província de Zabul, populares bloquearam a estrada que liga a capital, Cabul, a Kandahar, acusando os ocupantes de terem assassinado três pessoas enquanto estiveram detidas.
As forças da NATO recusaram-se a entregar os corpos aos familiares, argumentam os afegãos.