Paraguai pós-golpe de Estado

Tensão política e social

O presidente golpista aumentou a sua fortuna em 748 por cento nos últimos quatro anos. De acordo com o diário Última Hora, Federico Franco detém agora um património pessoal avaliado em um milhão e 200 mil dólares.

Franco apressou-se a justificar o ganho de cerca de um milhão de dólares entre 2008 e 2012 com uma deficiente avaliação do seu património na primeira declaração de rendimentos, mas lá foi admitindo que tem uma conta bancária no Brasil, país onde possui igualmente imóveis, tendo, entretanto, solicitado às autoridades que corrijam o que considera ser um «mal entendido».

Situação semelhante, de acordo com o referido periódico, ocorre com a esposa de Franco, nomeadamente quanto aos rendimentos dependentes da deputada paraguaia.

Paralelamente ao escândalo envolvendo o político que ocupou o cargo do presidente destituído, Fernando Lugo, prosseguem as investigações judiciais sobre empresas e bancos suspeitos de lavagem de dinheiro.

O apuramento revelou que pelo menos outras 10 empresas paraguaias usavam a actividade importadora e exportadora para ocultarem operações de transferência de dinheiro para o exterior, tudo alegadamente conjugado com os bancos já arrolados na investigação – Sudameris, BBVA, Regional e Continental – e com outras entidades entretanto incluídas no lote de suspeitos: Banco Itapúa, Interfisa, Itaú, Bríos, Finexpar, Banco Amambay e Credicentro.

Entretanto, nas ruas, o povo continua a contestar o governo golpista e a exigir políticas que favoreçam quem trabalha. Dia 11, funcionários do sector da educação (professores e pessoal não docente) manifestaram-se na capital, Assunção, contra um pacote legislativo que, acusam, restringe a acção sindical e reivindicativa, e exigiram o pagamento do salário mínimo a 16 mil trabalhadores do sector, os quais ganham abaixo desse limite. Os participantes na marcha denunciaram ainda o não pagamento de bonificações, em alguns casos devidas há anos.

A esta iniciativa juntaram-se camponeses expulsos de terras na província de Cordillera, que iniciaram frente ao parlamento uma greve de fome exigindo a reforma agrária; e representantes de comunidades indígenas, que rejeitam a introdução no país de sementes geneticamente modificadas, comercializadas pela Monsanto.

A lei das sementes favorável à multinacional foi uma das primeiras leis aprovada pelo governo golpista liderado por Federico Franco.

Já esta segunda-feira, 22, os estudantes da Universidade Nacional de Assunção convocaram uma paralisação por tempo indefinido contra o congelamento por parte do governo dos fundos destinados à instituição. O executivo golpista justifica a medida com graves dificuldades de tesouraria.

A direcção da universidade também contesta a medida e alerta para as consequências do corte das transferências, as quais podem, inclusivamente, ditar o encerramento da universidade.



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