A vida impõe e valida as propostas do Partido
Afirma-se nas Teses que a política patriótica e de esquerda é «necessária» e «possível». Em que se baseia esta convicção?
Cada vez mais é a vida a impor e a validar as nossas propostas. Por exemplo, na questão da renegociação da dívida. Todos sabemos que o serviço da dívida está a aumentar para níveis insuportáveis e aquilo que inevitavelmente acontecerá é que não poderemos pagar. Ou pior, pagaremos em condições draconianas.
Consideramos que enquanto devedores temos direitos. A renegociação que propomos pressupõe o não pagamento daquilo que é ilegítimo, que resultou da especulação e dos favores feitos ao capital. Isso não é para pagar. E depois propomos ainda a renegociação dos prazos e dos juros.
É necessário libertar verbas para o desenvolvimento e o crescimento económico e esta renegociação poderia permitir que, num quadro de crescimento económico e de reforço da nossa produção nacional, pudéssemos criar mais riqueza e, consequentemente, mais emprego e contribuir para o reforço de receitas.
Esse é, aliás, outro dos vectores centais da política alternativa que o PCP propõe…
Todos os anos encerram milhares e milhares de empresas, milhares e milhares de empregos são destruídos porque não se cuida do nosso aparelho produtivo, não só defendendo o que temos mas perspectivando o crescimento do aparelho produtivo e da produção nacional.
Como? Com base nos nossos recursos, que são muitos. Ainda recentemente, nas nossas Jornadas Parlamentares, demonstrámos as potencialidades de Alqueva, por exemplo, ou dos recursos minerais, que são abundantes e que infelizmente estão a ser explorados por multinacionais estrangeiras, quando se exigia uma linha de produção nacional. Somos o País com maiores reservas de cobre da União Europeia e não temos uma única fábrica de transformação de cobre. E muito menos uma fileira…
O Partido apresenta ainda outras propostas...
Sim, a questão fundamental da valorização dos salários, reformas e pensões, por razões de justiça social, em primeiro lugar, mas também por razões económicas. É sabido que as falências que tem havido são de empresas que trabalham para o mercado interno que sofrem com a redução do poder de compra da generalidade da população. Também propomos a defesa dos serviços públicos, que consideramos fundamental para a justiça social.
No plano económico, consideramos que é preciso pôr fim às privatizações e recolocar nas mãos do Estado alavancas económicas fundamentais, designadamente nacionalizando a banca comercial. Dizem que não há dinheiro para isto, mas basta pensar que os cinco mil milhões de euros da tranche do dito empréstimo foram direitinhos para a recapitalização da banca privada. Esses cerca de seis mil milhões davam para comprar toda a branca privada. E depois consideramos que é necessário afirmar a soberania nacional.
A questão que se coloca, e que será certamente debatida no âmbito das Teses, é se é possível, no sistema em que vivemos, esta política que o Partido propõe...
No quadro deste sistema socioeconómico, não. Mas no quadro do regime democrático consagrado na Constituição da República, sim, é possível.
Nas nossas propostas consideramos que sem rupturas não é possível a construção de uma política alternativa e de uma alternativa política, patrióticas e de esquerda: ruptura com este pacto de agressão, que está a martirizar o povo português; com esta integração na União Europeia; com esta alternância sem alternativa; com a política de direita. Estas são condições fundamentais.
E não vale a pena pensar que é possível uma verdadeira alternativa aplicando retoques e remendos designadamente na aplicação do pacto de agressão, nesta política de direita, nesta integração capitalista europeia e nas suas concepções federalistas e neoliberais, dominada por um directório de potências.