Legislativas na Geórgia

Vitória da alternância

A Comissão Eleitoral da Geórgia divulgou, sexta-feira, 5, os resultados finais das legislativas do passado dia 1 de Outubro, confirmando a coligação «Sonho Georgiano» como a vencedora do sufrágio. A plataforma eleitoral, liderada pelo multimilionário Bidzina Ivanishvili, superou o Movimento Unido Nacional, do actual presidente Mikail Saakashvili, em 14 pontos percentuais, recolhendo 54,85 por cento dos votos contra 40,43 por cento, de acordo com a Europa Press.

Ambas as formações dividem, assim, os 150 lugares disponíveis no parlamento, uma vez que os restantes partidos não garantiram nas urnas o mínimo de cinco por cento dos votos para elegerem deputados.

Ivanishvili, o homem mais rico do país com uma fortuna avaliada em 6,4 mil milhões de dólares, segundo a Forbes, resultante de um naipe de negócios que vão desde a venda de computadores, logo após o derrube da URSS, até à especulação com acções da russa Gazprom – cujos títulos vendeu para minorar o epíteto de «homem de Moscovo» atribuído por Saakashvili e seus apoiantes –, conquistou, paulatinamente, a confiança da UE e dos EUA, depositada em Saakashvili desde a «revolução rosa» de 2003.

Não é assim de estranhar que Bruxelas e Washington tenham vindo saudar a vitória do multimilionário de 56 anos, para quem o futuro da Geórgia passa pela adesão à NATO e à UE, já que, defendeu, «a humanidade ainda não inventou nada melhor» (!) (EFE).

Também o primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev, afirmou que Ivanishvili representa «forças mais construtivas e responsáveis no parlamento» (AFP), declaração paradoxal se considerarmos que a Rússia mantém com a Geórgia um diferendo em torno da adesão da ex-república soviética às organizações do eixo político-militar euro-atlântico.

Enquanto não se clarificam as águas, certo é que Ivanishvili começa dando o dito pelo não dito. Durante meses fez sua a exigência de demissão do presidente Saakashvili. Repetiu vezes sem conta que essa seria condição para formar governo. Mas já esta segunda-feira, 8, deu a conhecer um executivo ecléctico onde brilham um ex-embaixador na ONU e um ex-futebolista do AC Milão.

O agora primeiro-ministro terá ponderado melhor, diz quem lembra que a partir das presidenciais do próximo ano, às quais Saakashvili não pode concorrer, entram em vigor novas disposições constitucionais que retiram poderes ao presidente, transferindo-os para o primeiro-ministro.

Para além da promessa de forçar a renúncia de Saakashvili, Ivanishvili capitalizou votos na indignação popular desencadeada com a divulgação de um vídeo que mostra a tortura de prisioneiros pelas autoridades no maior cárcere do país.

À difusão das imagens, da responsabilidade da TV9, conotada com a «oposição a Saakashvili», seguiram-se protestos massivos na capital, Tibilissi, e noutras cidades do território caucasiano.



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