Um protesto do campo e da cidade

Andaluzia marcha contra a crise

Mais de 700 pessoas iniciaram, dia 16, uma marcha que liga localidades rurais e cidades da região autónoma da Andaluzia, em Espanha. O protesto é promovido pelo Sindicato Andaluz de Trabalhadores.

Marcha operária contra a fome e o desemprego

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A primeira etapa da «Marcha Operária – Andaluzia de Pé» teve início simbolicamente no pequeno município de Jódar, no Nordeste da Andaluzia, onde o desemprego é dos mais elevados da região.

A grande afluência de participantes surpreendeu os organizadores, que previam entre 150 a 200 pessoas e viram esse número mais do que triplicar.

Caminhando sob temperaturas de 40 graus à sombra, o Sindicato Andaluz de Trabalhadores (SAT) teve de fazer um esforço suplementar para garantir água e mantimentos, apelando à ajuda solidária através do seu site, para angariar os fundos necessários.

Na marcha, o carismático alcaide de Marinaleda, Juan Manuel Sánchez Gordillo, indicou que os manifestantes se declaram insubmissos e exortam o povo a mobilizar-se contra as políticas anti-sociais.

«Queremos um plano especial de emprego para o campo, a cedência das propriedades do Estado subaproveitadas e um rendimento básico para as 350 mil famílias da Andaluzia que não têm nenhuma protecção».

Gordillo disse ainda esperar que as pessoas da cidade e do campo se juntem na marcha e que alcaides de outras cidades adiram ao protesto: «Há pessoas que não têm o suficiente para comer e isto no século XXI é uma vergonha absoluta».

Como previsto, a primeira etapa terminou no sábado, 18, na cidade de Jaén, capital da província homónima, onde a meio do dia os caminhantes se concentraram frente à subdelegação do governo.

Na véspera, à chegada à cidade de Mancha Real, membros do SAT ocuparam temporariamente uma dependência bancária, num protesto pacífico contra o poder dos bancos, vistos como os «responsáveis pela crise».

Introduzido nas instalações, o grupo de sindicalistas sentou-se no chão permanecendo ali cerca de um quarto de hora. À tarde, como sempre acontece em cada localidade que atravessam, realizou-se uma assembleia pública em que os líderes sindicais explicaram à população os objectivos da acção e as suas reivindicações.

A segunda etapa começou anteontem, terça-feira, no município de Hornachuelos, e propunha-se percorrer os 50 quilómetros que a separam de Córdova, a capital da província. Seguir-se-á entre os dias 27 e 28 nova caminhada entre El Puerto de Santa Maria e a capital provincial Cádis. Por fim, entre os dias 30 e 31, a marcha atingirá Granada. Até lá o SAT promete acções surpresa em toda a Andaluzia, com manifestações em Huelva ou Sevilha.



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