Apoio a Assange
O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, continua refugiado na embaixada do Equador. A Grã-Bretanha recusa o salvo-conduto e ameaça invadir as instalações diplomáticas.
Grã-Bretanha ameaça invadir missão diplomática
A longa espera parecia ter chegado ao fim quando, no dia 15, o Equador anunciou a concessão do asilo político ao australiano Julian Assange. Porém, as autoridades britânicas ignoraram a decisão soberana do Estado equatoriano e insistem em extraditá-lo para a Suécia, onde é suspeito de crimes sexuais.
O Foreign Office anunciou em comunicado que ficou «desiludido» com a decisão, mas que esta «não muda nada». Desprezando as convenções internacionais, o governo britânico recusa conceder um salvo-conduto e admite assaltar a missão diplomática caso o australiano não se entregue às autoridades.
Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Equador, Ricardo Patiño, explicou que o asilo político visa evitar a prisão preventiva de Assange na Suécia, onde não seria possível evitar a sua extradição para um pais terceiro como os Estados Unidos.
Numa tal eventualidade, o dinamizador do site WikiLeaks, que divulgou 250 mil telegramas diplomáticos norte-americanos, poderia ser acusado e julgado por espionagem.
A intervenção providencial do Equador foi vista por Assange como «uma vitória importante», mas reconheceu que «as coisas vão, provavelmente, tornar-se mais tensas a partir de agora».
Disposto a enfrentar o braço de ferro com Londres, o presidente do Equador, Rafael Correa, escreveu no Twitter: «Não temos medo de ninguém».
Severidade e benevolência
A severidade das autoridades britânicas em relação ao australiano de 41 anos contrasta com a benevolência revelada em 2000 para com o ditador chileno Augusto Pinochet, então alvo de um pedido de extradição por parte da justiça espanhola que o queria julgar por crimes contra a humanidade.
Na altura, o governo britânico invocou o estado de saúde do general golpista para recusar a extradição, alegando que Pinochet não estava em condições físicas para enfrentar um julgamento, e permitiu o seu regresso ao Chile.
Entretanto, um grupo de conhecidos intelectuais como Noam Chomsky ou Naomi Wolf, os realizadores Oliver Stone e Michael Moore, o actor Danny Glover ou o humorista Bill Maher estão entre os quatro mil subscritores de uma carta que censura o Reino Unido por ameaçar violar os princípios das relações diplomáticas.
Na missiva, entregue na segunda-feira, 21, na embaixada do Equador em Londres, os subscritores consideram que é intenção dos governos britânico e sueco extraditar Assange para os EUA, onde pode ser condenado à pena morte.