MEC cedeu, Fenprof persiste
A Fenprof levou ao ministro a mensagem das manifestações regionais e ouviu-o aceitar como prioritária a resolução de problemas colocados pelos docentes. Foi um primeiro passo...
A luta dos professores vai prosseguir
Ao fim da tarde de sexta-feira, Mário Nogueira deu a conhecer aos professores que se concentraram na Avenida 5 de Outubro, frente ao Ministério da Educação e Ciência, o que a delegação de dirigentes da Fenprof e dos sindicatos tinha acabado de ouvir do ministro Nuno Crato: é prioritário resolver os problemas da vinculação dos docentes, do pagamento da compensação por caducidade de contrato e da atribuição das seis horas lectivas para os professores não ficarem com horário zero.
Para o secretário-geral da Fenprof, tais declarações não deixam de ser uma vitória, mas «não nos vamos sentar à espera», porque «há, na verdade, este primeiro passo, mas agora queremos ver os passos seguintes». A precaução do dirigente sindical mais se justifica, depois de o ministro ter considerado, no dia seguinte, que o encontro com a federação foi apenas «uma reunião normal de exposição de problemas», onde «ouvimos e identificámos alguns problemas que têm que ser resolvidos».
Para a reunião com Nuno Crato e os seus secretários de Estado, a delegação sindical levou as moções aprovadas nas concentrações realizadas no Porto, em Coimbra, em Évora e em Faro, nos dias 24, 25 e 26, com a participação de várias centenas de professores (alguns dos quais também estiveram em Cantanhede, na quarta-feira, vaiando o primeiro-ministro ao lado de outros trabalhadores do distrito, enquanto outros tinham estado, dia 18, em vigília frente à CM de Vila Real).
Como Mário Nogueira explicou, minutos antes de entrar no MEC, um mecanismo extraordinário de vinculação de professores contratados só fará sentido no presente ano lectivo, para abranger os milhares de professores que o Governo vai deixar desempregados em Setembro. O não pagamento das compensações por caducidade já motivou dezenas de condenações do MEC em tribunal. Impedir que haja horários zero é essencial para evitar que esses professores do quadro passem depois à mobilidade especial, a caminho do despedimento.
Miguel Tiago expressou, na concentração em Lisboa, a solidariedade do PCP para com a luta dos professores, assinalando – num breve depoimento publicado no sítio do Partido na Internet – que esta é também uma luta em defesa da escola pública.