Prejuízos gritantes
O controlo alimentar e o atendimento na Segurança Social são dois casos recentes que mostram a gravidade dos efeitos das políticas de «contenção» orçamental e redução de pessoal na Administração Pública.
Por falta de verbas para a aquisição de reagentes, o Laboratório Nacional de Investigação Veterinária não está a fazer as análises requisitadas pela direcção-geral de Alimentação e Veterinária, revelou segunda-feira a Federação Nacional de Sindicatos da Função Pública. Logo, a DGAV apenas poderá fazer o controlo alimentar «a olhómetro», ironiza a FNSFP/CGTP-IN, que ressalva uma alternativa: o recurso a laboratórios privados não credenciados.
Ao LNIV a direcção-geral «recorre, sem pagar, há mais de três anos», afirma a federação, que refere ainda «o desvio de verbas próprias para suprir défices orçamentais do INIA» (Instituto Nacional de Investigação Agrária, que, tal como o LNIV, foi integrado no Instituto Nacional de Recursos Biológicos). Estas perturbações vieram agravar a situação do LNIV, que «tem vindo progressivamente a degradar-se, sem que os sucessivos governos tenham até agora tomado quaisquer medidas para repor o normal funcionamento daquele que é um dos mais credenciados laboratórios nacionais e internacionais». Têm mesmo ocorrido atrasos no pagamento de salários, sublinha a FNSFP.
Quanto às amostras enviadas pela DGAV, elas «estão-se a degradar ou foi já dada orientação para que sejam deitadas fora».
Na semana passada, o Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores tinha chamado a atenção para a situação de caos nos serviços da Segurança Social, por causa das medidas do Governo e da falta de pessoal (em dez anos, este sub-sector passou de 17 mil para nove mil trabalhadores, a nível nacional). «Serviços sobrelotados, utentes enervados, um serviço em colapso por falta de meios, e os trabalhadores do Instituto da Segurança Social em desespero» - o STFPSA/CGTP-IN afirma que «só podia ser este o resultado», em especial «com o agravamento do desemprego, resultado das políticas de destruição das troikas».
O atendimento com marcação prévia, nas instalações do Areeiro, em Lisboa, comprovou como o ISS «continua a afastar os utentes dos serviços» e «já é alvo de contestação por parte dos utentes». Mas o instituto decidiu alargar esta modalidade a Almada, Seixal, Barreiro, Sesimbra, Montijo e outras localidades, protesta o sindicato.
Na nota divulgada à comunicação social no dia 24 de Julho, o STFPSA aponta ainda graves problemas nas Lojas do Cidadão de Lisboa (em especial, nas Laranjeiras), em atendimentos directos locais, «com filas intermináveis e falta de resposta aos utentes».