Assembleia do Conselho Mundial da Paz

Contra o imperialismo e a guerra

Reuniu entre os dias 20 e 22 de Julho, em Kathmandu, no Nepal, a Assembleia do Conselho Mundial da Paz (CMP), na qual foi eleita a nova direcção e reafirmadas a luta contra o imperialismo e a guerra, e o direito dos povos a decidir do seu destino.

Sobressaiu a condenação da NATO como inimiga da paz e dos povos

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Durante os trabalhos, os cerca de 150 delegados participantes, oriundos de meia centena de países, elegeram os novos organismos dirigentes do CMP. O Cebrapaz, do Brasil, e a actual presidente do CMP, Socorro Gomes, foram reeleitos para um novo mandato. O EEDYE, da Grécia, e Thanassis Pafilis foram reconduzidos no cargo de secretário-geral, ficando como secretário executivo o também helénico Iraklis Tsavdaridis.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) fez-se representar na Assembleia pela sua presidente, Ilda Figueiredo, e foi reeleito para o secretariado da organização, juntamente com o Movpaz de Cuba, Cebrapaz, Conselho da Paz dos EUA, EEDYE, Conselho da Paz do Chipre, Comité Palestiniano para a Paz e Solidariedade, Conselho Nacional da Paz da Síria, Comité da Paz do Congo, Iniciativa Sul-Africana da Paz, Organização para a Paz e Solidariedade de Toda a Índia, Conselho da Paz e Solidariedade do Nepal e Comité da Paz do Japão.

O Conselho Português foi ainda mantido como coordenador do Conselho Mundial da Paz para a Europa, e eleito para o Comité Executivo da estrutura, o qual integra organizações congéneres de outros 39 países.

Combates de sempre

Numa Assembleia marcada por um vivo debate, resultante dos relatórios apresentados pelas organizações presentes e dos quais sobressai a condenação da NATO como inimiga da paz e dos povos e a exigência do seu desmantelamento, bem como a denúncia dos crimes imperialistas e das suas guerras de ocupação e rapina; a condenação da proliferação nuclear, da manutenção das bases militares em países estrangeiros e da violação sistemática do Direito Internacional, em particular da Carta das Nações Unidas – é de destacar, igualmente, algumas das resoluções aprovadas pelos delegados.

A provar que os crimes imperialistas perduram na memória dos povos e dos combatentes pela paz, e que mantém inteira actualidade continuar a exigência de reparação das vítimas e punição dos responsáveis, a Assembleia votou favoravelmente resoluções de apoio ao apuramento dos crimes cometidos durante a guerra de libertação do Bangladesh, em 1971, que vitimou cerca de três milhões de pessoas.

No mesmo sentido, a Assembleia do CMP declarou a sua solidariedade para com as vítimas das bombas por explodir no Laos (calcula-se que a força aérea norte-americana tenha lançado três milhões de toneladas de bombas sobre um território que, à época, não ultrapassava os três milhões de habitantes; das 270 milhões de bombas largadas sobre o Laos, 80 milhões não rebentaram. Entre 1964 e 2008, pelo menos 50 mil pessoas morreram vítimas destes engenhos), e para com o martirizado povo do Vietname, mais concretamente para com as vítimas do agente laranja usado pelos EUA durante a guerra.

Atentos à realidade

Já quanto à situação no Médio Oriente, os delegados aprovaram resoluções de repúdio aos «planos dos EUA, UE e Nato de atacarem o Irão a pretexto do programa nuclear do país», lembrando, no mesmo texto, que «cabe ao povo do Irão escolher o futuro e liderança do país» e reiterando a solidariedade para com «a luta dos trabalhadores iranianos na conquista dos seus direitos democrático e sociais, pela paz, o progresso social e melhores condições de vida».

De igual modo, foram sufragados documentos de apoio à luta do povo palestiniano pela sua autodeterminação e contra a política sionista apoiada pelos EUA, da qual a UE é cúmplice; em defesa do estabelecimento do Médio Oriente como zona desnuclearializada; e de apoio às «justas e genuínas reivindicações do povo sírio», frisando, nesta mesma resolução, a necessidade «de manutenção da integridade territorial e soberania da Síria», e convocando «todos as forças anti-imperialistas, progressivas e pacíficas» a «confrontarem e desmontarem a campanha mediática organizada pelo imperialismo com o objectivo de distorcer os factos» que ali ocorrem

O CMP apela ainda aos povos e organizações de todo o mundo a que «pressionem os governos imperialistas dos países da UE e dos EUA e os seus aliados dos regimes reaccionários da região» a porem cobro «ao fornecimento de armas e dinheiro ao chamado “Exército Sírio Livre” e outros grupos mercenários responsáveis por actos terroristas na Síria; e a protestarem contra as pressões imperialistas a que é sujeita a Síria nas instituições e organizações internacionais».

Não menos importante, a aprovação de uma resolução de solidariedade para com Cuba socialista, na qual se condena o criminoso bloqueio norte-americano e a posição comum adoptada pela UE, considerada uma ingerência interna nos assuntos cubanos, e se exige a imediata libertação dos Cinco patriotas antiterroristas injustamente presos nos EUA e a retirada norte-americana da Baía de Guantanamo.



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