Recessão e desemprego
Não será por falta de avisos, vindos dos mais diversos quadrantes, que os governos da União Europeia, em particular da eurozona, não revêem as suas políticas, causadoras de níveis de desemprego sem precedentes desde a II Guerra.
Na passada semana, o alerta foi dado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT): se não forem rapidamente adoptadas políticas favoráveis ao crescimento, dentro de quatro anos haverá mais 4,5 milhões de desempregados, a somar aos 17,4 milhões hoje existentes na zona euro.
O estudo da OIT, publicado dia 11, considera que o mercado de trabalho irá entrar numa recessão prolongada, salientando que a situação dos jovens é a que se revela mais preocupante.
Dirigindo-se aos governos europeus, o director da organização, Juan Somavia, falou numa situação de emergência: «Se não houver uma mudança de política, todos, repito todos os países da zona euro serão afectados, quer aqueles que já hoje estão em dificuldades, quer os que têm melhor desempenho».
Somavia criticou as opções dos diferentes governos, notando que «tomamos cada vez mais consciência de que, por si só, a austeridade orçamental terá incidências sobre o emprego sem no entanto reduzir de maneira significativa os défices orçamentais».
As soluções defendidas pela OIT passam por políticas de investimento e pela recuperação rápida do sistema financeiro, pela manutenção da protecção social e a aposta no diálogo social. «Com uma estratégia de crescimento centrada no emprego, a retoma é ainda possível no quadro da moeda única», afirma o estudo.
Sobre a questão do desemprego juvenil, a organização indica como exemplo a seguir os modelos desenvolvidos nos países escandinavos através de programas de formação que facilitam a transição entre a escola e o mundo empresarial. A prioridade é assegurar que «os jovens não fiquem prisioneiros de empregos precários».