50 anos de independência
Iniciativas políticas, desportivas e culturais – conferências, suplementos sobre história editados por jornais, concertos, etc. –, assinalaram, na semana passada, os 50 anos da independência da Argélia. O país conquistou a autodeterminação depois de 132 anos de colonialismo francês, a 5 de Julho de 1962, após uma guerra de libertação que durou oito anos e provocou 1,5 milhões de mortos.
Ahmed Ben Bella foi o primeiro presidente da Argélia soberana, mas um golpe de Estado liderado pelo seu ministro da Defesa interrompeu o rumo democrático e progressista seguido entre 1962 e 1965. Houari Boumediene liderou o país até 1978, quando morreu, sendo substituído por Chadli Bendjedid, que se manteve no cargo até 1991, ano em que se realizaram eleições legislativas.
A Frente Islâmica de Salvação reclamou a vitória no sufrágio mas foi impedida pelos militares de assumir responsabilidades, que substituíram Bendjedid por Mohamed Boudiaf, que viria a ser assassinado seis meses mais tarde.
Ali Kafi e Liamine Zéroual dirigiram o país até às eleições de 1999, nas quais Abdelaziz Bouteflika foi eleito presidente, cargo que mantém desde então, cumprindo, actualmente, o terceiro mandato.
«A independência, arrebatámo-la» mas «os homens que pegaram em armas contra a França e a população que suportou o peso da guerra foram afastados» das decisões políticas, considera Abdelmadjid Azzi, combatente na guerra de independência citado pela Lusa.
Para além dos guerrilheiros, também a juventude, a maioria da população do país, acumula frustrações para com o atraso económico e social do país, de onde centenas de milhares têm saído, sobretudo para França, em busca de uma vida melhor.
O desemprego na Argélia ultrapassa os 20 por cento, segundo o Fundo Monetário Internacional, e a inflação supera os 6,4 por cento. A economia do país depende quase exclusivamente da exportação de combustíveis fósseis.