Governo boliviano chega a acordo com polícias

Conflito superado

O governo da Bolívia assinou um acordo, dia 27, com representantes das forças policiais, pondo termo a um conflito marcado por actos violentos, que ameaçava desembocar numa tentativa de golpe de Estado.

Os movimentos sociais ajudaram a neutralizar os golpistas

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O acordo responde às reivindicações salariais da classe, em particular dos agentes menos graduados, que agora ficam equiparados aos seus pares das forças armadas, incidindo ainda sobre aspectos disciplinares e de aposentação, entre outros.
Na véspera, a ministra da Comunicação, Amanda Dávila, havia denunciado o motim policial, afirmando que estava em curso uma tentativa um golpe de Estado. «Este não é um movimento qualquer: tem o poder das armas, das bombas de gás lacrimogéneo e todas as ferramentas».
No mesmo sentido pronunciaram-se os governadores de oito departamentos do país (com excepção de Santa Cruz, departamento dirigido pelo opositor Rubén Costas) criticando eventuais preparativos conspiratórios contra o presidente Evo Morales.
Dávila referiu como prova das intenções golpistas o atentado com dinamite, que cortou, dia 26, a emissão de uma rádio do sindicato camponês de Oruro. Além disso, o próprio edifício do Congresso foi alvo de outro ataque bombista, que provocou danos no gabinete da presidente da Câmara de Deputados. 
Neste quadro, Amanda Dávila, que é também porta-voz da presidência, anunciou que as forças policiais serão objecto de «uma profunda reforma, após o diagnóstico da situação», insistindo que sectores golpistas procuraram aproveitar-se do «movimento reivindicativo da polícia», facto que «a própria polícia se deu conta, como o denunciaram nas reuniões com o governo».
A partir de dentro «conseguiu-se neutralizar pouco a pouco esses sectores, mas continuam a existir razões de preocupação porque não sabemos qual vai ser a reacção desses sectores».
A ministra acrescentou que o apoio decidido dos movimentos sociais ajudou a «neutralizar» os golpistas, «pelo menos por agora», mas há que permanecer alerta, considerou Dávila, recordando que «tivemos tentativas semelhantes em 2008, com o plano secessionista do Oriente».
Desta vez, notou ainda, os golpistas procuraram articular as suas acções com a marcha indígena do Parque Nacional de Tipnis, que se dirigia na mesma altura para a capital, La Paz, para manifestar a sua oposição à construção de uma estrada que atravessaria o território.
«Felizmente, a marcha indígena, com absoluta consciência democrática, não se prestou a essa acção, e esperou que o conflito com a polícia fosse resolvido para entrar em La Paz», salientou a ministra.


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