Romenos derrotam conservadores
A vitória esmagadora da coligação social-liberal (USL) nas eleições municipais de dia 10, na Roménia, traduziu o repúdio da maioria da população às políticas de austeridade, impostas desde 2008 pelos conservadores do Partido Democrata-Liberal (PDL).
Alcançando uma votação global de 53 por cento, os candidatos sociais-democratas e liberais da USL conquistaram três quartos dos municípios, incluindo nove das 11 maiores cidades do país e a capital Bucareste, baluarte dos conservadores, onde venceram com 56 por cento dos votos.
Por seu lado, os conservadores sofreram uma pesada derrota, recuando para cerca de 20 por cento dos votos (16,62% excluindo as alianças com pequenas formações locais). A hecatombe já levou a direcção do partido a demitir-se em bloco e a convocar um congresso extraordinário para o próximo mês.
Num acto marcado por alta taxa de participação (62,4%), os romenos deram um sinal claro de que querem uma mudança de políticas. E é isso que o líder dos sociais-democratas e actual primeiro-ministro, Victor Ponta, tem vindo a prometer.
Empossado em Maio, na sequência da queda do executivo de Emil Boc, provocada por uma vaga de protestos populares sem precedentes desde a derrota do regime socialista, Victor Ponta mostra-se crítico em relação às políticas de austeridade, defende o crescimento e anunciou aumentos salariais de oito por cento para os funcionários públicos, que sofreram cortes de 25 por cento, bem como a reposição do poder de compra dos pensionistas e a introdução de uma taxa de «solidariedade» sobre os altos rendimentos.
Victor Ponta considerou a vitória nas municipais como «a primeira legitimação» nas urnas da USL, e prepara-se para confirmar o seu mandato nas legislativas marcadas para Novembro. Resta saber se irá cumprir as promessas, já que o país continua sob tutela da troika e está sujeito a draconianas condições para obter a segunda parte do empréstimo de 13 mil milhões de euros concedido em 2009.
A coligação social-liberal (USL) foi constituída em Fevereiro de 2011 entre o Partido Liberal e o Partido Social-Democrata, na base de um acordo que prevê o apoio dos liberais a um candidato social-democrata para primeiro-ministro nas próximas legislativas, em troca do apoio dos sociais-democratas a um candidato liberal nas presidenciais de 2014.