Bombardeamento mata 18 civis
Cinco mulheres e sete crianças estão entre as 18 vítimas civis de um bombardeamento da NATO no Afeganistão. O massacre avoluma a tensão no território.
Entre os mortos estão cinco mulheres e sete crianças
O raide aéreo que matou 18 civis afegãos, realizado na quarta-feira, 5, na província de Logar, terá sido ordenado unilateralmente pelos ocupantes durante uma operação conjunta com as forças afegãs, cujo objectivo era a captura de um alegado comandante talibã, sustentam as autoridades de Cabul, para quem o acontecimento é «injustificável» e «inaceitável» (Lusa 07.06) e viola, pela quinta vez desde a sua assinatura, os termos do chamado pacto de segurança estratégica subscrito na passada Primavera entre a NATO e o governo títere do Afeganistão (Russia Today 10.06).
O comandante das tropas da Aliança Atlântica no Afeganistão, John Allen, pediu desculpa pela morte de civis, mas a declaração só surgiu depois de mais uma tentativa de encobrimento do massacre.
Inicialmente as forças da NATO afirmavam que o ataque havia vitimado «muitos insurgentes» e que só duas civis haviam sido feridas no bombardeamento, mas as imagens recolhidas pelo correspondente da AFP no local deitaram por terra esta argumentação e desvendaram que entre os mortos estavam cinco mulheres e sete crianças, a mais nova das quais com cerca de um ano.
O sucedido não parece ter perturbado o secretário norte-americano da Defesa, Leon Panetta, que dois dias depois se deslocou ao Afeganistão para constatar «os progressos da guerra» e declarar que, apesar do aumento do número de ataques por parte da resistência talibã, o nível geral da violência no país decresceu (Lusa 07.06).
A desmentir Panetta, algumas horas após a sua visita ao território, o movimento atacou a prisão de Sari Pul. As forças de segurança afirmam ter capturado 16 dos 31 fugitivos, mas os talibãs comunicaram que o total de evadidos ascende a 170, incluindo importantes chefes da insurreição (Lusa 08.06).
No mesmo sentido, quatro soldados franceses foram mortos sábado em combates na província de Kapisa, isto depois de o governo francês ter garantido que o contingente gaulês vai iniciar a retirada do Afeganistão a partir do próximo mês.
Xadrez complexo
Com o conflito no Afeganistão a recrudescer, os EUA enfrentam uma derrota em toda a linha na região. Para além da insustentável presença militar nos actuais moldes em solo afegão, o Paquistão, aliado de Washington durante décadas, continua a impor como condição para a reabertura das rotas de abastecimento da NATO um pedido formal de desculpas pela morte de militares paquistaneses durante um bombardeamento norte-americano com aviões não-tripulados, ocorrido no final do ano passado.
O nó não se desata a favor do imperialismo (pelo contrário, o repúdio popular para com os bombardeamentos de drones no Norte do Paquistão obriga o governo de Islamabad a endurecer o discurso face à Casa Branca), e o melhor que os EUA conseguiram foi garantir que o Uzbequistão, o Quirguistão e o Cazaquistão se juntassem à Rússia no rol de países que aceitam que a NATO retire pelos seus territórios homens e equipamento do Afeganistão.
As nações da Ásia Central participam, junto com o Tadjiquistão, na Organização de Cooperação de Xangai, estrutura promovida por Rússia e China que, a semana passada, acolheu o Afeganistão e a Turquia como membros observador e parceiro de diálogo, respectivamente, estatutos de que já gozam a Índia, a Mongólia, o Irão e o Paquistão, obrigando os norte-americano a jogar um complexo xadrez na região.