Líbia imersa no caos

A vaga de confrontos desencadeada desde o início da semana passada na Líbia confirma que o país permanece mergulhado no caos após o derrube do regime e a execução de Muammar Kahdafi. Os últimos episódios violentos ocorreram durante o fim-de-semana, em Kufra, no Sul do território, e vitimaram cerca de 30 pessoas, informava, domingo, a Russia Today.

Já na quinta-feira, 7, um grupo de 300 homens armados ocupou a chamada Praça da Liberdade, em Benghazi, para exigir a aplicação da lei islâmica e rejeitar a aprovação de qualquer outro texto fundamental. Dois dias antes, na terça-feira, 5, a missão diplomática norte-americana naquela cidade foi atacada, noticiou a Lusa.

A operação terá sido reivindicada por um pretenso comando afecto ao xeque egípcio Omar Abdel-Rahman, condenado a prisão perpétua nos EUA por envolvimento e preparação de ataques terroristas, e, segundo analistas ouvidos pela AFP, em retaliação pela morte, nesse mesmo dia, no Paquistão, do suposto número dois da Al-Qaeda, Abu Yahya, conhecido como «o líbio», na sequência de um bombardeamento de um avião não-tripulado de Washington.

Na segunda-feira, 4, os confrontos ocorreram em Tripoli quando a brigada Al-Awfya, da cidade de Tarhuna, ocupou o aeroporto internacional da capital líbia em busca do seu chefe, detido e levado para parte incerta no dia anterior, informou ainda a agência de notícias portuguesa.

Os milicianos acabaram rechaçados sem resistência do aeroporto e de algumas das posições que ocupavam em Tripoli pela brigada de Zintan e não pelas forças de segurança do CNT, de acordo com elementos apurados pela Europa Press, que cita o relato dos acontecimentos publicado no Tripoli Post.

Esta é a segunda vez em seis semanas que os milicianos de Zintan se deslocam ao aeroporto de Tripoli para o resgatar a grupos rivais no controlo do território.

A instabilidade no país é, aliás, o principal argumento do Conselho Nacional de Transição para adiar as «eleições», inicialmente previstas para o dia 19 de Junho mas agora proteladas, e condicionadas, para 7 de Julho.

O adiamento, anunciado domingo e alegadamente coordenado com elementos das Nações Unidas, ignorou o envio por parte da UE de um contingente de 21 observadores, confirmado, dia 8, pela chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.

Paralelamente às incertezas sobre a propagandeada «consulta popular aos líbios», permanece a arbitrariedade judicial. Na semana passada, Melinda Taylor, advogada de Saif Al-Islam, filho de Muammar Kahdafi, foi presa pelas autoridades por entregar ao detido documentos que pretensamente «representavam um perigo para a segurança da Líbia».

No mesmo período, quatro funcionários do Tribunal Penal Internacional foram encarcerados quando se preparavam para um encontro com Al-Islam, no qual deveriam abordar a ordem da sua extradição para Haia, onde será acusado de crimes contra a humanidade (Lusa 09.06).

O novo poder na Líbia recusa entregar Saif ao TPI, pois pretende sentenciá-lo no país aplicando a «justiça de Zintan», cidade onde se encontra preso. Para tal não hesita em contrariar um dos sustentáculos da campanha imperialista durante a agressão da NATO à Líbia.

Até ao momento, não se conhece reacções da dita «comunidade internacional» sobre esta matéria.



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