Defender o Poder Local
Urge uma tomada de posição forte e inequívoca
Estes protestos são promovidos pela Plataforma Nacional Contra a Extinção de Freguesias, que junta o trabalho e as vozes de vários movimentos pela defesa de freguesias, nomeadamente do Porto, Lisboa, Setúbal, Viseu, Santarém, Sintra, Coimbra, Braga, Matosinhos, Gondomar, Guimarães, Moita, Almada, Beja, Faro, Santarém, Rio Maior, Leiria e Barcelos.
Em Almada, por exemplo, no dia 2, às 15 horas, terá lugar um desfile entre a Praça Gabriel Pedro e os Paços do Concelho, e em Palmela uma concentração, às 10 horas, no Largo do Poço Novo, na Quinta do Anjo. Estas iniciativas contam com o apoio da delegação distrital de Setúbal da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE). «Procura-se assim dinamizar a luta em defesa da manutenção de todas as freguesias», referem, numa posição conjunta, as 11 freguesias do concelho de Almada, que estão contra a proposta do Governo de reorganização administrativa autárquica, uma vez que representa «um prejuízo grave e inestimável para a população e para o desenvolvimento local».
«Urge uma tomada de posição forte e inequívoca por parte de todos os agentes na vida activa local, para rejeitar este ataque sem precedentes ao Poder Local democrático, à Constituição e sobretudo às populações», defendem as freguesias do concelho de Almada, que, em nota de imprensa, se manifestam ainda contra o encerramento de centros de saúde, repartições das finanças, postos dos CTT, tribunais e escolas, a diminuição de transportes.
Desfiles e concentrações
Em Palmela, a versão inicial da proposta do Governo implicava a redução de duas freguesias naquele concelho. No entanto, após a luta das populações, o Executivo PSD/CDS recuou e procedeu a algumas alterações, anunciando que irá reduzir apenas uma freguesia. «Nada justifica retirar uma Junta de Freguesia no concelho de Palmela, como nada justifica a redução de freguesias em todo o País, como a Lei 44/XII pretende», acentuam os executivos locais da Quinta do Anjo, Palmela, Poceirão, Marateca e Pinhal Novo.
Em Santarém, os autarcas de freguesia vão vestir-se de negro e tentar entregar ao Presidente da República, durante a inauguração da Feira Nacional da Agricultura, no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, um documento em que contestam a reforma administrativa. Mais tarde, a manifestação de descontentamento vai assumir a forma de uma «tribuna pública», em Santarém.
No Seixal, às14.30 horas, terá lugar uma concentração, na rotunda da Cruz de Pau, seguida de um desfile, até ao Jardim do Fogueteiro. Uma jornada de luta que contará com a participação da população, do movimento associativo, das escolas e associações do concelho.