Denunciar os crimes da NATO
Na segunda-feira, dia em que terminou a Cimeira da NATO, nos EUA, uma centena de pessoas participou num desfile em Lisboa, entre a Rua do Carmo e a Estação do Rossio, contra aquela estrutura militar ofensiva, responsável por guerras injustas e ilegítimas.
A existência da NATO é antagónica à paz mundial
Nesta acção de luta, em defesa da paz, os manifestantes, a sua larga maioria jovens, exigiram a retirada imediata das forças portuguesas envolvidas em agressões da NATO, nomeadamente do Afeganistão, rejeitaram a escalada de guerra no Médio Oriente e reclamaram o fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO em território nacional.
«Num momento em que a crise tem servido de desculpa para atacar os direitos e as conquistas dos trabalhadores e dos povos, as despesas e o investimento em novas tecnologias militares não cessam de aumentar, sendo que cerca de 70 por cento dos gastos militares no mundo são dos países membros da NATO», ouviu-se durante o desfile, enquanto, do alto do Elevador de Santa Justa, se desdobrava um pano onde se podia ler «Paz Sim! Nato Não!», tal como também aconteceu em Março de 1952, por ocasião de uma reunião da NATO em Portugal.
Depois de terem percorrido a Rua do Carmo, os pacifistas concentraram-se junto à Estação do Rossio, onde Helena Barbosa, do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), falou da Cimeira da NATO, que, em Chicago, confirmou e aprofundou os seus «objectivos militaristas e bélicos». «A existência da NATO é antagónica à paz mundial, como se tem verificado desde a sua criação em 1949», disse, lembrando que os objectivos que proclama são «contrários e incompatíveis com a nossa Constituição, que consagra a abolição dos blocos político-militares, bela expressão do desejo do povo português de alcançar e defender a paz no mundo».
Na sua intervenção, enumerou ainda alguns exemplos da «actuação criminosa da NATO», nomeadamente na Líbia, no Iraque, no Afeganistão e no Jugoslávia. «Esta estrutura militar tem servido os EUA e os seus aliados na sede de domínio militar, de controlo de recursos naturais e de mercados e de superioridade geoestratégica, em prejuízo de milhares de vidas humanas, destruição de países e recursos, o que faz subvertendo a Carta da Organização das Nações Unidas», sublinhou a dirigente do CPPC.
Por um mundo livre de armas
O momento contou ainda com as palavras de Ana Pires, da CGTP-IN, que defendeu a dissolução da NATO. «A defesa da paz exige o combate ao militarismo e à corrida armamentista, por um mundo livre de armas nucleares e contra a instalação e permanência de bases militares estrangeiras, designadamente na Península Ibérica», afirmou, frisando que «os milhares de milhões gastos pelos países que integram a NATO seriam mais do que suficientes para responder às necessidades de milhões de cidadãos que são forçados a viver abaixo de todos os limiares da dignidade humana».
Em Portugal e no mundo, reforçou, em vez de «mais submarinos ou envolvimento de tropas ao serviço da NATO», do que os trabalhadores e os povos necessitam e reclamam, com as suas lutas, «é de crescimento e de emprego, de trabalho com direitos e de investimento produtivo, com mais e melhores serviços públicos, para o progresso económico e social e a paz».
Solidariedade com os
presos políticos palestinianos
Na quinta-feira, a cidade de Lisboa acolheu um acto simbólico de solidariedade com os presos políticos palestinianos nas prisões israelitas. Na presença de várias dezenas de pessoas, foi entregue, não à Embaixada de Israel, mas a um dos muitos polícias que ali se encontravam, por Ilda Figueiredo, do Conselho Português para a Paz e Cooperação, um texto onde se dá conta de que as autoridades israelitas foram «obrigadas» a aceitar, entre outras medidas, o fim das «detenções administrativas», do «confinamento ao isolamento na prisão» e as «visitas familiares dos detidos».
Reivindicações conseguidas pelo êxito da justa e corajosa luta de milhares de presos políticos palestinianos, que realizaram uma greve de fome nas prisões israelitas. «A condição dos prisioneiros políticos palestinianos nas cadeias israelitas ilustra o drama do povo palestiniano sob a ocupação israelita, a violência de um quotidiano feito da repressão sistemática, da contínua espoliação das terras, da destruição das casas e dos campos de cultivo, das expulsões, do alargamento contínuo dos colonatos, da meticulosa aplicação de uma política que visa o esmagamento da sua identidade e da supressão dos seus direitos, como a constituição de um Estado nos territórios ocupados em 1967, com Jerusalém Oriental como capital, e uma solução justa para a situação dos refugiados palestinianos», lê-se no documento.