Um Congresso ligado à vida e em movimento
Jerónimo de Sousa participou, sexta-feira, numa reunião de quadros da Organização Regional de Braga inserida na primeira fase de preparação do XIX Congresso do Partido. O encontro, no qual participaram mais de cem militantes, reforçou a importância de afirmar, hoje, os valores de Abril.
O Congresso deve servir também para reforçar o Partido
A reunião decorreu no Teatro da Escola Secundária Sá de Miranda e constituiu um importante avanço na reflexão e no aprofundamento da discussão colectiva essenciais à construção de um Congresso profundamente ligado à vida e que traduza uma resposta alternativa de ruptura com estas políticas. A necessidade de reforçar o PCP, de ter um Partido mais forte, com mais capacidade de resposta, que possa intervir onde estão os trabalhadores e os seus problemas, onde existem dificuldades, foi uma das principais prioridades que saíram deste momento de discussão.
No encontro surgiram vários exemplos de lutas em que a intervenção do Partido tem sido essencial: comissões de utentes de centros de saúde em Esposende e em Vizela e do Hospital de Braga; os correios na Vila do Gerês; as questões de defesa do poder local em Barcelos ou o complexo Grundig em Braga, entre outros, ou ainda a acção da JCP juntos dos estudantes e dos jovens trabalhadores.
«Descer» ao concreto
Este sentido de indispensabilidade do Partido, das suas acções concretas, foram apontados também como um dos caminhos essenciais à preparação do XIX Congresso. Para além da discussão das grandes questões ideológicas, saiu reforçada a ideia de que é preciso descer ao concreto na discussão: perceber a que problemas tem o Partido que dar resposta; quem são as pessoas com quem se pode ir falar para serem membros do Partido (integrando a campanha de dois mil novos recrutamentos até Março do ano que vem); que mecanismos se tem para garantir reuniões mais regulares das células de empresa ou das comissões de freguesia, para que delas saia um texto com uma posição do Partido, de forma a garantir um avanço no seu reforço.
Surgiu ainda o exemplo de vários membros do Partido, portageiros, que não estão ainda organizados, e cuja organização constituirá um passo no avançar da preparação do XIX Congresso e que serve também para cuidar do Partido. Outra questão prioritária surgida no encontro foi a questão do financiamento do Partido, garante da sua independência financeira e política, mas também da sua capacidade de intervenção, de realizar acções de propaganda, de dar resposta a tudo que é preciso, e cujo reforço constitui, por isso, uma preocupação especial.
De forma particular foi ainda olhada a luta e o reforço dos movimentos de massas, designadamente da União de Sindicatos de Braga, a maior organização social do distrito, que terá o seu congresso em Maio próximo. O reforço das organizações unitárias de massas é algo a que a discussão e intervenção partidárias têm que dar atenção, a começar pela sindicalização e intervenção no quadro dessas organizações por parte dos membros do Partido e pelo alargamento da percepção da importância da luta organizada. Neste sentido, foi feito o apelo ao empenho e participação de todos na manifestação organizada pela CGTP-IN no dia 9 de Junho, no Porto.
Tornar o Partido mais forte
Em jeito de conclusão, Jerónimo de Sousa, na sua intervenção de encerramento, relembrou a importância da afirmação e intervenção do PCP, da sua identidade, da sua história, do seu projecto e da sua luta, no quadro das exigências da luta que é travada todos os dias, contra o pacto de agressão e por uma política patriótica e de esquerda. Para o Secretário-geral, é preciso um Partido Comunista mais forte também porque é o único Partido que tem uma alternativa política, económica, social, cultural e de defesa da soberania nacional.
Para a preparação do XIX Congresso fica ainda um bom caminho para andar no que toca ao debate no distrito: organizar ainda mais reuniões, chamar mais militantes e a cada um pedir opinião. Fazê-lo com a marca distintiva do PCP, a discussão colectiva, a importância de cada pequeno contributo para a construção do saber colectivo, que trouxe o Partido até hoje com a capacidade, a força e o prestígio que tem.
Disse Jerónimo de Sousa que nos legaram «este Partido assim, e como comunistas do nosso tempo, temos que criar as condições para o legar às novas gerações de comunistas: como Partido Comunista Português, que honra o seu nome». Então, que se faça o XIX Congresso do PCP «ligado à vida, em movimento, discutindo e contribuindo com o que devemos discutir e contribuir, com a certeza de que vai ser um grande momento de afirmação e realização do Partido Comunista Português».