Agressão sem tréguas
Nem a presença de observadores enviados pelas Nações Unidas trava os atentados terroristas na Síria. Rússia e China acusam as potências imperialistas de apoiarem os grupos armados.
A Síria abateu britânicos, franceses e belgas entre os insurrectos
A mais sangrenta das intentonas atribuídas pelas autoridades sírias aos grupos armados ocorreu no dia 10 de Maio, em Damasco, e ceifou a vida a 55 pessoas. A explosão de duas potentes bombas arrasou um dos bairros da capital e deixou mais de 370 feridos.
No dia anterior, o alvo foi um comboio de veículos com observadores da ONU que se preparava para visitar Deraa, cidade apresentada pelos insurrectos como um dos fustigados bastiões da oposição ao presidente Bashar Al-Assad (AFP 09.05.2012).
A liderar a equipa – que já totaliza 250 pessoas, entre as quais cerca de 200 militares de diversos países, e que tem percorrido sem obstáculos o território –, encontrava-se o chefe da missão da ONU, Robert Mood, que depois de escapar ileso ao atentado observou que o sucedido foi «um exemplo concreto da violência que os sírios vivem todos os dias» (Lusa 09.05.2012).
Ambos os episódios suscitaram o repúdio internacional, mas isso não parece abalar os bandos terroristas, os quais, nos dias seguintes, assassinaram dois militares de alta patente e um líder comunitário e o seu filho (Sana 15.05.2012), prosseguindo, aliás, a campanha de terror revigorada depois da chegada dos observadores vinculados às Nações Unidas.
Preocupação, no terreno, gera igualmente a tentativa de alargamento do conflito ao vizinho Líbano. É o próprio Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), organização sediada em Londres, quem reporta com entusiasmo e detalhe os combates em Ar-Rastan, junto à fronteira libanesa, e a consequente morte de 23 soldados sírios, e o estalar de confrontos entre libaneses em Tripoli, principal cidade do Norte do Líbano, onde pelo menos nove pessoas terão morrido e 50 resultaram feridas.
A refrega em Tripoli foi desencadeada após a detenção de Chadi al-Mawlawi, 27 anos, acusado pela justiça libanesa de terrorismo (Lusa 14.05.2012).
Pequim e Moscovo acusam
Reagindo à escalada de violência na Síria, a Rússia e a China acusaram as potências imperialistas de promoverem o conflito. «Lamentavelmente, alguns dos nossos parceiros não apenas fazem prognósticos, como agem para que a situação estale, no sentido literal e figurado do termo», disse o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov.
O homólogo chinês, Yang Jiechi, seguiu o mesmo raciocínio e afirmou que «os líderes da comunidade internacional têm influência sobre eles [os grupos armados] e deveriam usá-la para o bem, não para o mal».
A Rússia foi mesmo mais precisa nas acusações e, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o seu embaixador, Vitaly Tchurkine, alegou que o Kosovo já estabeleceu contactos com a chamada oposição síria com o objectivo de instalar no território campos de treino (Lusa 14.05.2012).
As declarações dos responsáveis diplomáticos da Rússia e China estão em linha com as denúncias do representante permanente da Síria na ONU, que frisou que as forças de segurança sírias haviam abatido, nos últimos dias, britânicos, franceses e belgas entre os insurrectos, e detido outros 26 combatentes de grupos armados, entre os quais estavam tunisínos ou líbios (Lusa 10.05.2012).