VII Assembleia da Organização Regional de Coimbra do PCP

Razão para resistir e avançar

Hugo Janeiro (texto)
Jorge Caria (fotos)

Reunidos em Assembleia de Organização, dia 5, os comunistas de Coimbra analisaram a situação política e social e a sua tradução concreta na região, notaram as debilidades e os avanços no trabalho do Partido, elegeram a nova direcção. Tudo isto a culminar um amplo processo democrático realizado a par da luta de massas, a qual, sublinharam, será mais forte quanto mais reforçado estiver o PCP.

O pacto de agressão prossegue e agrava o ajuste de contas com Abril

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No Auditório do IPJ, em Coimbra, os mais de 150 delegados fizeram o exame e apuraram que no distrito é tangível a ofensiva contra quem vive e trabalha. O mundo rural é um exemplo, com potencialidades desaproveitadas e delapidadas.

O filão florestal está órfão de um plano estratégico e de defesa, e os baldios, importantes recursos para compartes e comunidades, estão ameaçados pela gula privada. O despovoamento do território e o definhamento de modos de vida economicamente significativos surgem ajuzante.

Produtores de leite e vinho, na sua maioria de dimensão familiar, resistem com dificuldade. O saldo entre o valor do produto e o custo dos factores de produção é favorável aos comedores de dinheiro.

Na área da Saúde o panorama é semelhante. As lutas desenvolvidas, com os comunistas na primeira linha, ilustram a resistência popular à destruição do Serviço Nacional de Saúde universal e gratuito, e à tentativa de liquidação do direito do povo a dele usufruir.

Encerradas extensões de centros de saúde e fechadas as portas do bloco de partos do Hospital Distrital da Figueira da Foz (HDFF), o ponto de mira concentra-se agora no fim do hospital de dia e da urgência médico-cirúrgica do HDFF durante a noite.

Objectivo do Governo é igualmente o encerramento das urgências nocturnas no Hospital dos Covões, recentemente integrado no Centro Hospitalar de Coimbra. Aos danos provocados aos utentes, acresce a precarização laboral dos profissionais do sector, alertou-se.

 

Conhecimento traficado

 

Como a radiografia à Saúde, também a autópsia ao Ensino mostra que a identificação de Coimbra como a cidade do conhecimento está moribunda devido à aplicação de orientações elitistas e mercantilistas, sintetizou-se.

Nos ciclos pré-universitários, perspectiva-se a Escola Pública como local onde se aprende a ler, escrever e contar. A valorização da curiosidade e do raciocínio crítico é varrida pelos mega-agrupamentos de salas sobrelotadas e funcionários e professores deslocados ao sabor dos buracos que é preciso tapar, relataram os militantes comunistas.

No Superior, o traje é feito à medida pelo executivo PSD/CDS e pela troika. Duas mil candidaturas a bolsa foram recusadas. Avolumam-se os casos de estudantes expulsos de residências por incapacidade económica.

Os que teimam em se licenciarem, contam os tostões, sobretudo os bolseiros, que depois de pagas propinas superiores a mil euros/ano, guardam 2,75 euros/dia para comer, pagar alojamento, transportes e materiais escolares, revelou-se.

Quando for aplicada a lei dos despejos, ninguém sabe o que sucederá às tradicionais repúblicas, lembrou-se ainda.

 

Explorar até mais não

 

Abordada em diversas intervenções, foi ainda a pretenção do grande capital para que se trabalhe mais, por menos dinheiro e com menos direitos. O agravamento da exploração alastra, confirmaram os testemunhos.

Ele é imposta a bolseiros de investigação, mão-de-obra barata e sem direito a greve, subsídios de desemprego, doença ou maternidade; aos trabalhadores da hotelaria, onde quem tem contrato colectivo é empurrado para uma a reforma penalizadora e sujeito à desregulação ditada pelos bancos de horas; aos trabalhadores dos transportes de mercadorias, que vêem os colegas serem despedidos e a frota minguar. Aumentos e melhorias só no volume de trabalho e no lucro dos patrões.

Ele é particularmente brutal no caso dos 30 mil desempregados do distrito, confrontados com a dificuldade em vender a sua força de trabalho num País flagelado por 35 anos de política de direita agravada por um pacto de agressão que ajusta contas com Abril, concluiu-se.

 

Mais fortes

 

Para além do necessário diagnóstico do distrito, na AOR de Coimbra sobressaíram também a afirmação da diferença do PCP em relação aos partidos da burguesia, a avaliação do trabalho concretizado e das tarefas para o fortalecimento do Partido.

«No processo de preparação da Assembleia, o nosso Partido começa logo a demarcar-se», referiu Vladimiro Vale, membro da Comissão Política do Comité Central e responsável da OR de Coimbra. «Os outros, resumem a democracia interna a nomear quem manda». No PCP «discute-se ideias, incentiva-se o trabalho colectivo e elege-se uma direcção colectiva», notou justamente depois da Assembleia ter aprovado por unanimidade a resolução política e eleito com uma abstenção a nova direcção regional.

Mas a realização da Assembleia não fechou a organização para balanço. Pelo contrário. Os comunistas do distrito foram determinantes no sucesso das acções nacionais e locais convocadas pelo movimento sindical e pelos utentes. Estiveram ao lado dos trabalhadores dos Estaleiros do Mondego, da Lactogal, da Conforlimpa, da ASF, da Estaco, da SMTUC dos Hospitais Universitários ou dos trabalhadores que reclamam créditos devido às falência que se sucedem, explicou Vladimiro Vale.

«Estamos já a mobilizar para a marcha convocada pelo PCP, dia 12, no Porto, contra o pacto de agressão», acrescentou o dirigente.

É esta permanente ligação às massas – pese embora as dificuldades e obstáculos que persistem no trabalho de fundos, na difusão da imprensa partidária ou na formação ideológica, como se salientou na reunião plenária –, que permite reforçar o PCP.

Nos últimos quatro anos inscreveram-se no Partido 155 novos membros e mais quatro organismos passaram a funcionar com regularidade. Foi relatado o caso de uma concelhia que recrutou 10 novos militantes, atribuí-lhes responsabilidades, e, por isso, elevou a capacidade de iniciativa própria.

No mesmo sentido, a concretização da prioridade para o reforço e estruturação da organização junto das empresas e locais de trabalho permitiu conhecer e intervir mais e melhor onde a luta de classes é mais evidente. Nos ferroviários, por exemplo, os novos camaradas integrados no trabalho acrescentaram dinâmica no contacto com os colegas de trabalho, e a célula até já marcou a sua própria Assembleia de Organização.

 

Na luta com o nosso povo

 

A encerrar a VII AOR de Coimbra, o Secretário-geral do PCP sublinhou que «a resolução política aprovada na Assembleia» e o «conteúdo das intervenções proferidas deram a dimensão da gravidade da ofensiva em curso». Passado um ano sobre a assinatura do «pacto imposto pelos banqueiros, pelos grandes interesses económicos e financeiros, e pelos que servem tais interesses em Portugal e na União Europeia», constata-se o acerto das chamadas de atenção feitas pelo PCP.

«Tínhamos então afirmado que essa intervenção externa iria acentuar a política de austeridade que já estava em curso, aumentar a exploração do trabalho e liquidar direitos sociais, promover a extorsão dos recursos do País e agravar todos os problemas nacionais. Dissemo-lo e não nos enganámos!», lamentou Jerónimo de Sousa antes de sublinhar que hoje Portugal está mais endividado e menos soberano, afunda-se numa recessão sem precedentes, o desemprego bate todos os recordes e as injustiças crescem a par do empobrecimento da generalidade da população.

Enquanto tudo isto sucede, o Governo continua a apresentar como «troféus da sua governação» resultados alcançados à custa «de um drástico rebaixamento do nível de vida das populações» e«da desindustrialização e modernização do País », acusou, referindo-se à propagandeada redução do défice das contas externas.

Neste quadro, o PCP aponta a luta de massas como resposta «ao caminho de exploração que estão a impor ao nosso povo». Luta que, insistiu ainda o Secretário-geral do PCP, «não dispensa os comunistas». Antes, o colectivo partidário vai ser chamado a travar este combate paralelamente à preparação do XIX Congresso do PCP e visando o reforço do Partido.

«Partido portador das soluções e do projecto alternativo, contra o capitalismo, pela democracia avançada, o socialismo e o comunismo».



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