Falar do que interessa
Os deputados do PCP na Assembleia da República Bernardino Soares, António Filipe e Agostinho Lopes estiveram nos Açores, onde contactaram com instituições locais e com a população.
Os comunistas trazem para o debate as questões essenciais
Os três eleitos comunistas estiveram entre os dias 3 e 7 nas ilhas de São Miguel, Terceira e Faial onde tiveram oportunidade de se pronunciar sobre importantes questões para o futuro dos açorianos, que deveriam estar no centro do debate político pré-eleitoral. Em várias iniciativas, os deputados foram acompanhados por dirigentes locais do Partido, bem como por vários candidatos da CDU às eleições regionais de Outubro, nomeadamente Aníbal Pires, que encabeça a lista.
António Filipe, que esteve reunido com os representantes dos trabalhadores da Base das Lajes e com a União dos Sindicatos de Angra do Heroísmo, denunciou as arbitrariedades a que estes trabalhadores estão sujeitos por parte das forças armadas dos EUA, sobretudo por não estarem sob a jurisdicação da legislação portuguesa. O deputado comunista denunciou ainda a «contínua pressão» que paira sobre os direitos destes trabalhadores, considerando negativas e preocupantes as «anunciadas reduções dos postos de trabalho na Base, que constituem um factor de agravamento» destas mesmas pressões. Assim, para o PCP, há que pôr fim à atitude subserviente que tem norteado a relação entre as autoridades açorianas e nacionais e os Estados Unidos da América.
Agricultura e pesca
Em São Miguel, Agostinho Lopes esteve reunido com a direcção da Cooperativa Porto de Abrigo, com quem discutiu os problemas da pesca, nomeadamente os que se relacionam com a necessidade de garantir, no âmbito da revisão da Política Comum de Pescas, que o Estado Português recupere a soberania sobre os recursos biológicos marítimos das suas águas. Para o PCP, a gestão pela UE não garante a sustentabilidade dos recursos nem a proteção das frotas locais, contribuindo para desmantelar o nosso sector das pescas.
O mesmo deputado encontrou-se com a direcção da Cooperativa Unileite, com a qual debateu questões relacionadas com o sector leiteiro. O deputado comunista reafirmou, na ocasião, a importância central da manutenção das quotas leiteiras, perante o qual todos os outros acabam por ser secundários.
A outra grande questão que afecta o sector é a força desmesurada da grande distribuição, que consegue impor preços cada vez mais baixos aos fornecedores (cooperativas e indústria), perante a passividade do Governo da República. O facto de Unileite não ter aplicado a sazonalidade, não baixando o preço pago aos produtores demonstra que é possível fazê-lo e que são os agentes privados que manipulam o preço para garantir os seus lucros. A concorrência desleal feita pelas «marcas brancas» das grandes superfícies – cujo preço é manipulado em função dos interesses comerciais imediatos – chega ao cúmulo de haver numa mesma prateleira de supermercado o mesmo produto com duas marcas (a do produtor e a marca branca) e dois preços completamente diferentes.
Agostinho Lopes visitou ainda a Feira Agrícola de Santana, tendo estado reunido com a Federação Agrícola dos Açores. A defesa da produção leiteira foi o tema central desta reunião.
Rejeitar o pacto de agressão
No Faial, Bernardino Soares contactou com a população da cidade da Horta e participou num debate sobre a crise, as suas causas e soluções. Aí, denunciando os resultados da aplicação do pacto de agressão que PS, PSD e CDS assinaram com a troika estrangeira, o membro da Comissão Política garantiu que os sacrifícios que estão a ser impostos aos portugueses não são inevitáveis: «o dinheiro existe» mas está a ser canalizado para os bancos e os grandes interesses e não para a melhoria das condições de vida do povo.
A prová-lo estão precisamente os juros exigidos pela troika que, por 76 mil milhões de euros emprestados, cobra cerca de 35 mil milhões em juros, colocando o serviço da dívida num patamar insustentável e empurrando o País para a recessão. Ao mesmo tempo que se disponibiliza para recapitalizar a banca privada em 12 mil milhões de euros.
Bernardino Soares destacou ainda as propostas do PCP, realçando que para a sua concretização é necessário rejeitar o pacto de agressão, o que só será possível pela luta e protesto dos portugueses.