O «caminho» de Seguro
Resultado de meses de estudo e cuidadosa preparação, o PS tem em marcha uma operação de branqueamento da sua brutal responsabilidade no afundamento do País e de distanciamento do governo de serviço ao pacto de agressão, roubalheira e declínio nacional, de que é co-autor. Como era expectável, trata-se de uma operação de marketing e encenação, de factos mediáticos e retórica, urdida na direcção do PS, com o empenho dos seus aliados – a UGT, de todas as concertações com o capital e algumas farroncas, Soares e Alegre, «o roque e a amiga» de todas as pantominices, e a loja maçónica de alguns ex-militares de Abril e Novembro – e, já agora, com a cobertura tática do BE, sempre pronto para o talk show do «que está a dar».
A operação visou radicalizar a guerra verbal com o Governo PSD/CDS, o «pior de sempre». Como se nesta política de direita e de recuperação contra revolucionária, cada governo não fosse sempre pior do que o anterior – e como se um putativo futuro governo PS/Seguro, não viesse a ser ainda pior do que o actual – é assim a lógica da política de direita e da crise globalizada do capitalismo.
O PS segurou as dificuldades internas e passou à fase de «violenta» abstenção, perdão «oposição» – esta política é um «desvio neoliberal», de «austeridade excessiva» e «insensibilidade social» e não há investimento para criar emprego. «Esse não é o nosso caminho», concluiu Seguro – e o capital financeiro tremeu com tanta «bravura».
Claro que o PS negociou o pacto de agressão e não se distanciou, nem do que está, nem de futuras «operações de resgate», claro que está «contra», mas votou o tratado de sujeição nacional, e agora (re)propôs uma adenda, a «segunda oportunidade» ao Governo, claro que, «com objecções», apoiou o pacote laboral e viabilizou os orçamentos e que quer «consensualizar» a extinção de freguesias e as «reformas estruturais», claro que a «criação de emprego» é uma agenda a que Merkel já condescendeu e que P. Coelho apoiou, porque é preciso salvar a face a Hollande e isso nada altera no rumo de extorsão do pacto de agressão. Mas o PS/Seguro afirma solene que não vai pelo caminho do PSD/CDS.
Será que alguém descobre uma diferença de substância?