Protestos crescem em Itália
Os italianos responderam ao plano de austeridade imposto pelo governo liderado por Mario Monti com bloqueios de estradas, greves e manifestações.
Camionistas, trabalhadores dos transportes, pescadores e agricultores estiveram em luta
Depois dos taxistas, a contestação à liberalização e privatização nos serviços e transportes, e aos aumentos impostos pelo executivo transalpino alastrou ao numeroso contingente de camionistas que assegura o transporte de mercadorias e matérias-primas no território.
Entre segunda-feira, 23, e sexta-feira, 27, foram realizadas centenas de bloqueios de estradas contra a abertura do sector e o aumento do preço da gasolina, portagens e seguros.
O número de acções chegou a superar as seis dezenas de Norte a Sul do país num só dia, e, apesar das ameaças da ministra do Interior Ana Maria Cancellieri, das provocações policiais e da campanha mediática, a iniciativa obrigou à paralisação da produção em numerosas unidades industriais.
A suspensão da laboração nas fábricas da FIAT de Casino, Pomigliano, Mirafiori e Sevel é disso exemplo, ao qual acresce a escassez de combustíveis e de géneros alimentares, frescos e processados, nos mercados e supermercados.
Já na sexta-feira, protestaram os trabalhadores dos sectores ferroviário e rodoviário. À greve cumprida com adesão massiva na maioria das cidades italianas – em muitas das quais paralisaram igualmente os serviços da administração pública central e local –, juntou-se uma manifestação com dezenas de milhares de pessoas em Roma. «Estamos cansados dos contínuos programas governamentais que sempre atingem os mais fracos, os reformados e os trabalhadores, e não a elite política e o verdadeiro poder económico», desabafou Mauro Rustici, citado pela Reuters.
Também na capital, mas no dia 25, ocorreu uma manifestação de representantes dos pescadores de várias regiões italianas, que contestam as novas regras de licenciamento da actividade e o aumento do preço da gasolina. A polícia impediu com violência a aproximação dos marítimos ao parlamento.
Também no dia 25, mas em Palermo, na Sicília, milhares de agricultores receberam Monti com apupos e reivindicaram políticas que protejam a sua actividade, ao invés de orientações que esmagam o mundo rural.