PAME apela à luta
A Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) realizou, dia 25, um protesto junto ao hotel onde a delegação da troika esteve hospedada em Atenas. Durante a acção, o PAME apelou aos trabalhadores e ao povo para «elevarem os protestos contra o governo, a plutocracia e os seus aliados» que, diz a estrutura sindical de classe, «pilham as nossas receitas e condenam-nos à fome e ao desemprego». Para os próximos dias, o PAME pretende convocar uma nova greve geral.
O acto simbólico contra as políticas de bancarrota do país e empobrecimento abrupto da população ocorreu quando três centrais sindicais e a associação patronal reuniam no âmbito da concertação social, iniciativa que o secretariado do PAME qualificou de «diálogo-fraude» cujo único propósito é «deteriorar ainda mais as relações laborais» e aumentar a exploração sobre os trabalhadores.
A troika, composta pelo FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu, exige a adopção de novas medidas de austeridade como condição para a concessão de um novo empréstimo ao Estado helénico avaliado entre 130 e 145 milhões de euros.
Entre as exigências estão a redução dos subsídios no sector privado e a redução do salário mínimo nacional, o fim do direito de pedido de arbitragem em conflitos laborais, despedimento de 150 mil funcionários públicos até 2015, mais cortes nas pensões, mais redução das despesas na Saúde e Defesa, e aceleração dos processos de privatização de empresas públicas.
O primeiro-ministro, Lucas Papademos, garantiu ter o apoio dos três partidos que sustentam o governo nas negociações com a troika, PASOK, Nova Democracia e LAOS.
Simultaneamente, a Alemanha admitiu, através do porta-voz do Ministério das Finanças germânico, Martin Kotthaus, a intenção de tutelar a aplicação das políticas de austeridade na Grécia.
Kotthaus confirmou, desta forma, as informações avançadas sábado pelo britânico Financial Times, que diz citar fontes oficiais, nomeadamente o ministro da Economia Philipp Roesler, e as adiantadas pelo líder da bancada parlamentar da União Democrata Cristã, de Angela Merkel, Volker Kauder, que ao Der Spiegel disse que Berlim devia «enviar funcionários alemães que ajudem na construção de uma administração financeira funcional», ou «se for necessário, um comissário europeu».