França

Milhares rejeitam ataque ao trabalho

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Em Paris, Lyon, Marselha, Bordéus, Toulouse ou Lile, milhares de franceses rejeitaram as medidas propostas pelo presidente Nicolas Sarkozy, e denunciaram que o plano governamental não combate o desemprego, representando, antes, um ataque aos rendimentos e direitos de quem trabalha.

As manifestações, convocadas pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), ocorreram quarta-feira, 18, justamente quando Sarkozy encerrava um encontro com representantes sindicais e patronais, a que chamou de Cimeira Social.

Na reunião, o executivo gaulês propôs um programa de criação de empregos a tempo parcial com benefícios públicos para as empresas aderentes, programas de formação profissional para os jovens e reforço do número de funcionários dos centros de emprego.

Os temas mais focados na Cimeira deixaram estrategicamente de fora as propostas gravosas e soaram a propaganda eleitoral de Sarkozy, que, a 100 dias das eleições para a presidência de França, e embora não tendo assumido a sua candidatura, já parece trabalhar na caça ao voto.

Sobre o pacote para o emprego proposto, a CGT lembrou que «nenhuma das medidas tem um efeito real sobre o desemprego». Em declarações públicas após a Cimeira, o secretário-geral da organização, Bernard Thibault, lembrou que o pressuposto fundamental de que parte Sarkozy é o mesmo dos patrões, isto é, que o custo do factor trabalho está na base da persistência do desemprego.

Quanto ao aumento do horário de trabalho, a diminuição dos salários dos trabalhadores nas empresas que se declarem em dificuldades financeiras, ou em relação ao aumento do IVA sobre os produtos importados para cobrir a diminuição da comparticipação das empresas e do Estado para a Segurança Social, Sarkozy foi quase omisso.

Garantia, apenas, a de que todas estas medidas vão ser implementadas o mais brevemente possível, disseram, entretanto, responsáveis governamentais citados por agências noticiosas.

Segundo uma sondagem divulgada sábado, 21, 72 por cento dos franceses consideram que a proposta governamental não ataca o flagelo do desemprego.

Durante a actual administração, a taxa de desemprego oficial em França elevou-se de 7,5 a 9,7 por cento, atingindo mais de dois milhões e 800 mil pessoas.

O total de pessoas sem trabalho, de acordo com a entidade encarregada de atribuir os subsídios de desemprego, a Unedic, deverá superar os três milhões durante o ano de 2012.

Outras estimativas afirmam que o desemprego não declarado e o subemprego elevam a taxa para os 17 por cento da população activa.



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