Alves Redol homenageado no Douro
Continua por todo o País a celebração do centenário do nascimento do escritor comunista Alves Redol. Depois da sessão pública em que participou o Secretário-geral do PCP, em Lisboa, e da homenagem da Comissão Concelhia de Vila Franca de Xira, de que demos nota na nossa última edição, foi a vez das organizações do Partido ligadas à região do Douro (Bragança, Vila Real e Viseu) lembrarem o autor e a sua obra numa iniciativa pública realizada no domingo, em Pinhão.
Para além de Manuel Rodrigues, do Comité Central, que apresentou a sessão, tomaram da palavra Arlindo Gouveia, presidente da Cooperativa Alves Redol; Frederico Neves, em representação do Grémio Literário Vilarealense; o escritor Domingos Lobo e João Frazão, membro da Comissão Política.
Este último, chamando a atenção para a actualidade da obra de Alves Redol no que respeita àquela região, realçou que o Douro Vinhateiro é as suas paisagens, mas também as suas gentes, pelo que «entregar o Douro ao domínio exclusivo da grande produção vitivinícola, como parece ser o caminho apontado pelas políticas dos últimos anos, será mais cedo que tarde despojá-lo da sua alma, do seu sentir, do seu viver». Com riscos para o abandono definitivo de zonas de menor rendimento, acrescentou.
Prosseguindo, o dirigente comunista salientou que a lógica da grande produção para potenciar o aumento das produtividades e dos resultados será «necessariamente fatal para esta obra humana construída ao longo de séculos». Muros e outros suportes, caminhos, tradições rurais, «tudo isso não passaria de breve memória, de folclore, para trazer ao peito das grandes marcas».
Alves Redol, acrescentou João Frazão, recusou sempre que a sua escrita fosse apenas a descrição da «beleza da paisagem, da paleta de cores que ela proporciona e que evolui ao longo do ano, do pitoresco da vindima» – ele ali esteve, no Douro, para se entrosar com as «relações sociais que aqui se viviam e vivem, para sentir os seus dramas e problemas, para sentir e retratar a profunda solidariedade entre os homens e mulheres sujeitos à exploração». A sessão evocativa contou ainda com o contributo inestimável do Grupo de Cantares de Ervedosa do Douro.