Alargar a rejeição do pacto de agressão
O PCP não abdica de continuar a levar por diante com determinação a luta contra o pacto de agressão, reafirmou Jerónimo de Sousa, no sábado, em Santiago do Cacém.
O eixo franco-alemão apenas quer salvar o grande capital
Foi um auditório municipal António Chaínho completamente cheio que recebeu, na tarde de sábado, um comício do PCP, inserido no conjunto de iniciativas que os comunistas estão a levar a cabo por todo o País de rejeição do pacto de agressão que PS, PSD e CDS assinaram com o FMI e a União Europeia. Na sua intervenção, o Secretário-geral do Partido realçou que a luta contra esse pacto e a política do Governo que lhe dá corpo está já a crescer e assim continuará «à medida que os portugueses vão tomando consciência das suas nefastas consequências e de que esta situação de enfeudamento ao estrangeiro que impuseram ao País não era, nem é, uma inevitabilidade nem a solução para resolver os seus problemas».
Para Jerónimo de Sousa, os trabalhadores e o povo estão já a responder à questão há muito levantada pelos comunistas: a de saber se o povo se conforma com a «destruição do seu presente e futuro» ou se, por outro lado, «se levanta, ergue barreiras de resistência e de luta que derrotem cada uma das medidas do Governo, da União Europeia e do grande capital, tomando nas suas mãos a tarefa que ao povo pertence de salvar o País». As pequenas e grandes lutas já em curso e que dão seguimento a essa «jornada memorável que foi a greve geral do passado dia 24» são uma convincente resposta, sustenta o dirigente comunista.
Considerando a greve geral um «momento maior da história da luta do nosso povo, assumida com grande coragem pelos trabalhadores portugueses», Jerónimo de Sousa acrescentou que ela «anima e dá força ao combate que se impõe continuar a travar visando o isolamento do Governo de Passos e Portas e das forças politicas e do capital económico e financeiro». E fortalece, no imediato, o movimento de resistência às medidas de severa austeridade que estão em curso.
Antes, Manuel Valente, membro do Comité Central e responsável pela Direcção da Organização do Litoral Alentejano do PCP, valorizara a participação dos trabalhadores da região na greve geral, sobretudo, afirmou, «tendo em conta as condições muito difíceis em que foi realizada». O próximo ano, prevê Manuel Valente, «será certamente um ano de dificuldades». Mas também, e sobretudo, «de grandes potencialidades e possibilidades» para reforçar o Partido e a luta.
A ditadura de merkozy
Jerónimo de Sousa valorizou ainda o alargamento da compreensão de que a União Europeia «não é uma construção democrática e muito menos está ao serviço dos povos». Que, pelo contrário, «está sob o domínio da ditadura do eixo franco-alemão e, acrescentamos nós, do grande capital que esses e outros governos fielmente representam».
Congratulando-se com as posições daqueles que, tendo tido «altíssimas responsabilidades» na condução do País, «agora vão reconhecendo o que há muito para nós era uma evidência», o Secretário-geral comunista realçou, porém, que «alguns do que agora se pronunciam contra a ditadura merkozy são os mesmos que tudo fizeram, sempre, para associar o País ao processo que conduziu à actual situação e submetê-lo ao domínio do neoliberalismo e federalismo da União Europeia». O tempo dirá se tal significa uma «genuína e bem-vinda mudança de opinião» ou se, pelo contrário, se trata de uma «repetição da estratégia de mudar o necessário para que tudo fique na mesma».
Para o futuro, o que está em causa é «não só o domínio de tipo colonial do capital e das classes dominantes alemãs e francesas sobre o resto dos povos e países da Europa», mas a adopção de um conjunto de propostas e medidas que «salvem o grande capital e as principais potências». Em causa com as propostas que o eixo franco-alemão procura agora impor com a revisão dos tratados estão os direitos dos trabalhadores e do povo, o direito ao desenvolvimento social e económico soberanos e a própria democracia.
A ideia, esclareceu Jerónimo de Sousa, é «retirar aos povos a capacidade de gerir de forma soberana a sua economia, as suas políticas fiscais, a sua política de investimento público, entre outras, submetendo-as aos interesses do grande capital e das principais potências europeias».