Gregos e italianos contra a ditadura do capital

Abaixo os governos dos banqueiros

O 38.º aniversário do levantamento dos estudantes do Instituto Politécnico de Atenas contra a ditadura dos coronéis foi assinalado, dia 17, nas principais cidades da Grécia. No mesmo dia, milhares de italianos gritaram «nem Berlusconi nem Monti».

Papademos e Monti contestados nas ruas

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Um dia depois da aprovação no parlamento do novo governo, que junta sociais-democratas, conservadores e extrema-direita, a Grécia viveu mais uma jornada de protestos massivos contra as novas medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro- ministro, Lucas Papademos.

Em Atenas, como acontece todos os anos, o desfile iniciou-se no Instituto Politécnico de Atenas e terminou junto da embaixada dos Estados Unidos, recordando o apoio dado pela potência imperialista à ditadura dos coronéis (1967-74) e à sangrenta repressão dos revoltosos em 17 de Novembro de 1973.

Números da polícia indicaram perto de 30 mil manifestantes no final da tarde nas ruas da capital. Noutras cidades decorreram igualmente manifestações importantes, nomeadamente em Salónica, o segundo centro do país, onde as autoridades calcularam a presença de mais de 15 mil pessoas.

A fachada do edifício do Politécnico foi coberta com um pano em que se lia «pão, educação e liberdade», lema utilizado durante a ditadura que agora é dirigido contra a «ditadura dos mercados».

O governo de Papademos apresentou entretanto o objectivo de reduzir no próximo ano a despesa pública em 5,2 mil milhões de euros, um corte de cinco por cento em relação a 2011, propondo-se aumentar as receitas fiscais em sete por cento e realizar um encaixe de 9,3 mil milhões de euros através das privatizações. Tudo isto significa mais sacrifícios para o martirizado povo.

 

A alta finança no poder

 

No mesmo dia, em Itália, milhares de estudantes saíram às ruas em 60 cidades para expressar o seu protesto contra o novo governo dirigido por Mário Monti e os cortes que atingem em particular o sector do ensino.

Alguns cartazes repudiavam o «governo dos banqueiros», aludindo ao recém-formado executivo, chefiado por um ex-conselheiro do Goldman Sachs, no qual também tem assento Corrado Passera, patrão do Intesa Sanpaolo, o segundo maior banco de Itália, indigitado para o cargo de ministro do Desenvolvimento Económico, Infraestruturas e Transportes.

Segundo Monti, trata-se de uma figura que beneficia «de uma longa história de gestão», garantindo que o peso de Passera no sector bancário «não terá qualquer interferência» nas novas funções.

No entanto, as ligações ao mundo da alta finança destes chamados «tecnocratas», que ascenderam às chefias dos governos em Itália e na Grécia, bem como a outros postos decisivos, como é o caso de Mário Draghi à presidência do BCE, levantam fundadas suspeitas.

Como recorda o Le Monde (15.11), entre Draghi, Monti e Papademos há um estranho traço em comum: todos têm fortes vínculos ao Goldman Sachs, um dos maiores bancos norte-americanos do mundo, cuja «ajuda» permitiu ao governo grego do conservador Kostas Karamanlis falsificar as contas do país.

O jornal francês refere ainda que Draghi, enquanto vice-presidente do Goldman Sachs para a Europa entre 2002 e 2005, foi responsável pelas «empresas e países», tendo precisamente como tarefa vender produtos financeiros que dissimulavam parte da dívida pública dos países.

Por seu turno, Papademos, agora apresentado como independente e imparcial, foi governador do Banco Central da Grécia entre 1994 e 2002, e nessa qualidade participou na maquilhagem das contas públicas sob a batuta da Goldman Sachs.

Durante todo este período, de 1995 até 2004, o «tecnocrata» Mário Monti foi comissário europeu, primeiro do Mercado Interno, Serviços Financeiros e Integração Financeira (1995-99) e depois da Concorrência (1999-04). O poder e influência que concentrou valeram-lhe o cognome de «Super Mário», mas as suas decisões nunca afectaram as actividades especulativas do Goldaman Sachs.



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