Programa britânico para desempregados

Trabalhar sem salário

Os centros de emprego dos Reino Unido estão a obrigar jovens desempregados a trabalhar até dois meses sem receberem salário, segundo denunciou o jornal The Guardian (16.11).

O procedimento enquadra-se no chamado «programa de experiência laboral» aprovado em Janeiro pelo governo conservador-liberal, cujas regras permitem às empresas utilizar mão-de-obra não remunerada.

O programa tem um carácter «voluntário», mas uma vez aceite a proposta do centro de emprego, mesmo que apenas verbalmente, e findo o prazo de experiência de uma semana, o jovem aprendiz é obrigado a completar as oito semanas regulamentares, sob pena de perder o magro subsídio de 53 libras (62 euros) por semana.

O jornal britânico foi encontrar vários destes jovens que cumprem 30 horas semanais, em lojas de importantes cadeias de supermercados como a Tesco, Poundland ou Sainsbury’s, onde executam as mesmas tarefas que os trabalhadores assalariados, são obrigados a estar disponíveis das nove da manhã às dez da noite, devendo por vezes efectuar turnos nocturnos.

Algumas das cadeias de distribuição que participam neste programa confirmaram ao diário que têm ao seu serviço muitos jovens sem salário. A Tesco, por exemplo, reconheceu ter recrutado 150 jovens dos centros de emprego nos últimos dois meses, explicando que pensava trata-se de uma experiência totalmente voluntária.

Quem assim não pensa é um grupo de advogados britânicos que se prepara para apresentar uma queixa em tribunal, considerando que esta é uma forma de escravidão claramente violadora dos direitos humanos.

Segundo dados divulgados, dia 16, pelo instituto de estatísticas britânico, a taxa de desemprego no Reino Unido voltou a subir para 8,3 por cento, no terceiro trimestre, afectando um total de 2,62 milhões de pessoas, mais 129 mil do que no trimestre anterior.

Perto de metade dos desempregados (1,2 milhões) são jovens com menos de 25 anos. A taxa de desemprego entre 16 a 24 anos bateu o recorde alcançando 21,9 por cento.



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