Legislativas em Espanha

Ilusão populista

As eleições legislativas em Espanha confirmaram a esperada vitória do Partido Popular e a derrota histórica do Partido Socialista Operário Espanhol. Fora do centrão, a Esquerda Unida e a esquerda independentista basca registaram fortes avanços eleitorais.

Esquerda Unida e esquerda basca registam importante subida

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Sem surpresa, o Partido Popular (PP) obteve no escrutínio de domingo, 20, uma ampla maioria absoluta, de 186 mandatos (dos 350 do Congresso de Deputados), órgão que terá 13 partidos representados.

O PP conseguiu mais de 10,8 milhões de votos, subindo 550 mil sufrágios e passando de 39,94 para 44,62 por cento. Em sentido inverso, o PSOE registou o seu pior resultado de sempre, perdendo cerca de 4,3 milhões de votos e descendo de 43,87 para 28,73 por cento. Conta agora com 110 deputados, menos 59 do que tinha elegido há três anos.

A Esquerda Unida registou uma espectacular subida eleitoral, conseguindo mais 700 mil votos, num total obtido de 1,7 milhões de sufrágios. A evolução em percentagem foi de 3,8 para 6,9 por cento, aumentando o número de deputados de dois para 11.

Sendo a terceira força mais votada, a Esquerda Unida foi no entanto remetida para quarto grupo parlamentar, atrás dos conservadores catalães da CiU, que obtiveram mais 300 mil votos, somando cerca de um milhão, mas puderam aumentar de 10 para 16 a sua representação no Congresso. Cálculos da Esquerda Unida mostram que caso o sistema eleitoral fosse proporcional, em vez de 11, teria elegido 25 deputados.

No novo parlamento, segue-se a coligação da esquerda basca Amaiur que recolheu mas de 333 mil votos e elegeu sete deputados, seis dos quais no País Basco, onde foi a força mais votada, e um em Navarra. A Amaiur, que integra a coligação Bildu (EA, Alternatiba e independentes) e o partido Aralar, conseguiu a melhor votação de sempre, crescendo mais 17 mil votos em relação às eleições locais realizadas em Maio.

Segue-se a União Progresso e Democracia (UPyD), partido fundado em 2007 que se define como «progressista», que elegeu cinco deputados, sagrando-se como a quarta força mais votada (1,14 milhões de votos).

O novo Congresso terá ainda cinco deputados do Partido Nacionalista Basco (PNV) que perdeu um mandato, três da Esquerda Republicana Catalã, e dois tanto do Bloco Nacionalista Galego (BNG) como da Coligação Canária; estas três últimas forças mantiveram os seus eleitos. No hemiciclo estreiam-se três outras formações, cada uma com um deputado: Compromis-Equo, FAC e GBAI.

A abstenção foi maior do que em 2008, tendo votado apenas 71,69 por cento dos eleitores, contra os 73,85 que participaram há três anos. Também houve um aumento dos votos nulos (318 mil), de 0,64 para 1,29 por cento e dos votos em branco (333 mil) de 1,11 para 1,37 por cento.



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