Pelo Estado da Palestina
PSD, CDS e PS chumbaram recentemente um projecto de resolução do PCP (o mesmo aconteceu a idêntica iniciativa do BE) onde se recomendava ao Governo o reconhecimento do Estado da Palestina, nas fronteiras anteriores a 1967 e incluindo Jerusalém Oriental, como membro de pleno direito das Nações Unidas.
Já um voto de «congratulação» do PS justificado pelo curso das negociações israelo-palestinianas passou com a abstenção da maioria PSD-CDS/PP e os votos contra dos partidos à esquerda do hemiciclo. Para o líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, este era um voto que se congratula «com o que não existe» e com uma realidade diversa da que o PS propala, já que a pressão da União Europeia foi toda ela dirigida no sentido de procurar que a Palestina retirasse o seu pedido de aceitação como membro das Nações Unidas.
E por isso considerou «contraproducente» a posição das instituições europeias, lembrando que a concretização do inalienável direito do povo palestiniano a um Estado independente e soberano é reconhecida pelas Nações Unidas desde 1947, altura em que estabeleceu o princípio da existência de dois Estados – o da Palestina e o de Israel –, princípio este reafirmado ao longo destas seis décadas por inúmeras deliberações dos seus órgãos.
Ora é apenas este reconhecimento que se reivindica, esclareceu Bernardino Soares, face à «prática continuada de Israel de imposição de colonatos, de agressões, de bloqueio à Faixa de Gaza, uma política para inviabilizar a criação do Estado da Palestina».
Daí que, para o PCP, «aprovar o Estado da Palestina como membro de pleno direito das Nações Unidas é tudo pela Palestina e nada tem contra Israel».