Pobreza
A presidente da Assembleia da República atribuiu a Mota Amaral, na qualidade de ex-presidente do Parlamento, um gabinete, uma secretária, um BMW 320 e um motorista. Esta situação está a ser amplamente divulgada na Internet, com os cibernautas a ver provado que a Assembleia da República não aplica os cortes que o Governo tem vindo a impor aos portugueses, nomeadamente aos 1,9 milhões que vivem em situação de pobreza e aos 2,7 milhões que só ainda não estão nessa situação limite porque, segundo o INE, ainda recebem prestações sociais, as mesmas que o Executivo PSD/CDS, sempre com a aprovação do PS, está a cortar. Já agora, vale a pena referir que, segundo consta no ciberespaço, a senhora presidente ter-se-á reformado por «cansaço» aos 42 anos, com 2445€/mês, após 10 anos de trabalho.
Medicamentos
Segundo o barómetro «Os portugueses e a Saúde», divulgado anteontem, 27, quatro em cada dez portugueses admitem fazer cortes no orçamento familiar para poderem comprar medicamentos em resultado do novo regime de comparticipações dos fármacos. De acordo com o estudo, 1,2 milhões de portugueses afirmam que tais cortes implicarão deixar na farmácia alguns dos medicamentos necessários. Dos inquiridos, 40 por cento admite cortar mesmo nos bens alimentares. Mais uma vez, o argumento da necessidade de diminuir a despesa pública reincide no ataque aos serviços públicos e no agravamento das condições de vida das populações, deixando intactos os privilégios dos que mais beneficiam com a política de direita.
Censura
No dia 19 de Setembro, para analisar a situação da agricultura e das pescas em Portugal, realizou-se, na RTP1, que agora o Executivo PSD/CDS quer privatizar (assim como tudo aquilo que ainda é do Estado, «nem que seja por um euro»), mais um programa «Prós e Contras».
Na mesa, na qualidade de oradores, esteve o ministro da Agricultura, organizações de agricultores e técnicos agrícolas, ficando de fora a CNA, a legítima representante dos pequenos e médios agricultores, o que confirma o carácter antidemocrático, prepotente e ofensivo do programa. Ou seja, faltou o essencial.
Mas não admira. O que ali se tentou fazer esquecer, entre outras coisas, foi que, «fruto» dos programas das troikas, se mantém a ameaça de brutais aumentos do IVA sobre os produtos agro-alimentares e sobre os principais factores de produção. Ou que nada está a ser feito para tomar as medidas necessárias e urgentes para alterar a profunda crise em que a agricultura e o País estão mergulhados. A menos que se considere que o remédio está nas vaquinhas dos Açores que se riem para o Presidente da República...
Privatização
O Governo avançou, terça-feira, que vai privatizar as Águas de Portugal no final do próximo ano, o que vai aumentar, como sempre tem acontecido, o preço da água. Na Assembleia da República, Assunção Cristas, ministra do Ambiente, chegou mesmo a dizer que se a água tiver um custo, será consumida com mais moderação. Uma dedução que faz acreditar que todos os portugueses são detentores de uma piscina olímpica, não se tratando apenas «de uma questão ideológica, mas de um princípio básico».
Esta é uma medida inconstitucional, uma vez que a água é um bem comum, parte integrante e fundamental do constante movimento e evolução da natureza, determinante da composição atmosférica, do clima, da morfologia, das transformações químicas e biológicas, das condições de toda a vida na terra, sendo o direito a ela reconhecido pelas Nações Unidas.