Pela manutenção da Bonvida Porcelanas

Batalha por trabalho e pão

Enquanto prosseguia pelo segundo dia a vigília à porta da Bonvida Porcelanas, na Batalha, 50 dos cerca de 160 trabalhadores deslocaram-se, no dia 7, ao Ministério da Economia, reclamando o direito ao trabalho e a viabilização da empresa.

A unidade na luta é fundamental para a manutenção dos empregos

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No dia 5, a administração entregou aos trabalhadores, na maioria mulheres, uma carta dispensando-os de se apresentarem na empresa, a partir do dia seguinte e até 26 de Setembro, atitude que as organizações sindicais classificam de ilegal, à semelhança da pressão feita para que os trabalhadores levantassem, até amanhã, cartas de rescisão dos contratos, ameaçando-os de que, se não o fizessem, nem ao subsídio de desemprego teriam direito.

A deslocação a Lisboa, com concentração na Praça Luís de Camões, teve o apoio dos sindicatos da CGTP-IN e também da Câmara Municipal da Batalha. Pretendeu reclamar a intervenção do Governo, no sentido de garantir a viabilização e manutenção da laboração na fábrica, encerrada no dia 6, deixando sem trabalho cerca de 160 trabalhadores, numa empresa que já garantiu 240 postos de trabalho.

Para a fechar, a administração alegou interrupção no fornecimento do gás numa produtora de cerâmica utilitária e decorativa, com 23 secções que garantem toda a cadeia de produção.

A Bonvida detém tecnologia de ponta na sua área e tem um parque tecnológico com capacidade para produzir cerca de um milhão de peças mensais, recordou José Valentim, na concentração, classificando a administração de «incapaz e incompetente».

No dia do encerramento, a empresa tinha obtido «uma encomenda de 600 mil euros, que podia ajudar ao pagamento das remunerações em atraso», considerou.

Jorge Vicente, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Cerâmica do Sul, também da CGTP-IN, salientou que, caso se confirmassem estes despedimentos, isso significaria um brutal aumento de mais de 40 por cento dos índices de desemprego naquele concelho, motivo que mereceu a preocupação da presidência da Câmara.

 

A luta endurece

 

Os trabalhadores obtiveram do chefe de gabinete do ministro o compromisso de ir envidar esforços no sentido de sentar à mesma mesa, o mais brevemente possível, todas as partes interessadas, a fim de procurarem solução que salvaguarde os empregos e viabilize a empresa, revelou o dirigente da União dos Sindicatos de Leiria, José Valentim.

Determinados a «não baixar os braços» nesta luta, os trabalhadores comprometeram-se a manter-se unidos e a não assinar qualquer documento individualmente, por considerarem que só assim poderão evitar o fim da empresa e os despedimentos.

O dirigente sindical disse ontem ao Avante! que «o administrador se tem furtado ao agendamento do encontro», motivo que levou as trabalhadoras a concentrar-se, segunda-feira, na Batalha, junto a um restaurante de que o administrador da Bonvida é proprietário, para exigirem que ele assuma as suas responsabilidades.

Ontem, uma delegação de trabalhadores e representantes sindicais foi recebida na Assembleia da República pelo Grupo Parlamentar do PCP, que se voltou a comprometer a tudo fazer para que a empresa e os postos de trabalho sejam salvos. Foram solicitadas, pela delegação sindical, audiências aos restantes grupos parlamentares.

 

A força da unidade

 

José Augusto, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Cerâmica do Sul, José Valentim, da US Leiria, Fernando Ambrioso, pela União dos Sindicatos de Lisboa, e Fátima Messias, da Executiva da CGTP-IN, apelaram à unidade das trabalhadoras, salientando que ela é decisiva para que consigam os seus objectivos.

O deputado do PCP, Bruno Dias, levou à concentração a solidariedade do Grupo Parlamentar comunista para com a luta destas trabalhadoras, sublinhando que «nenhuma intervenção institucional substitui a vossa luta». «O PCP confrontará o Governo com as suas responsabilidades nesta matéria», garantiu.



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