Tradição com futuro
Praticam-no sobretudo entre Fevereiro e Outubro, gostam do ar livre, têm espírito competitivo, mas a motivação maior reside mesmo nas horas bem passadas de convívio que a modalidade proporciona.
Não há limites de idade, as regras são simples, apenas é exigida perícia. Falamos dos jogadores da malha – tradicional, chinquilho e corrida – jogo popular que pelo sexto ano consecutivo marcou presença na Quinta da Atalaia sob a forma de torneio.
Foi ali que se desenrolaram as suas etapas finais, culminando dois meses de competição ao longo dos quais se realizaram sete jornadas que contaram com a participação de 457 homens e 281 mulheres, segundo informação que nos foi dada por Manuel Felício, do Clube Recreativo de Cruz de Pau, parceiro chave na realização deste torneio.
Entre as muitas dezenas de pessoas que sempre assistem aos jogos, no espaço que beneficia da generosa sombra de velhos pinheiros, metemos-nos à conversa com Rosa Besugo, da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do Fogueteiro. Com os seus 79 anos, encontrou na malha, que pratica há 15 anos, não só uma boa maneira de passar o tempo – «são sempre momentos de grande convívio e alegria», diz-nos – como uma excelente terapia para os males do corpo. «É da melhor ginástica que se pode fazer, porque movimenta o corpo todo», afiança esta mulher de fibra, que depois de ter completado recentemente o 6.º ano de escolaridade (tinha a quarta classe) e ter aprendido a «dominar» o computador quer agora inscrever-se no 9.º ano.
E se nesta edição não ocupou um lugar no pódio, a exemplo do ano passado onde alcançou um primeiro lugar, foi porque nas últimas três semanas esteve na apanha de figos e de alfarroba no Algarve, o que a impediu de treinar.
A comprovar que o jogo da malha é de facto um bom tónico para o corpo e a mente está ainda o exemplo de Fernando André Alves, 66 anos, reformado, que nos confessou ter sido a «descoberta do jogo da malha a sua sorte grande».
Também ele valoriza o convívio e a amizade que esta modalidade oferece, de tal maneira que, revelou, no seu caso, esta paixão o leva a ir todos os dias de Rio de Mouro (Sintra) à Cruz de Pau para o praticar com os amigos.