Manifestações esta tarde em Lisboa e no Porto

Nas ruas contra as troikas

Milhares de trabalhadoras e trabalhadores vão hoje responder ao apelo da CGTP-IN e dar expressão pública à determinação de lutar contra a política que provocou a crise e contra o acordo que a vai agravar.

Com a luta é possível mudar de política, salienta a CGTP-IN

As concentrações estão marcadas para as 14.30 horas, no Porto, e em Lisboa. Quem vem do distrito do Porto dirige-se à Praça dos Leões; quem chega dos restantes distritos a Norte do Mondego, vai para a Praça da Batalha; dos distritos do Sul convergem para o Largo do Calvário, seguindo as indicações dos diferentes sindicatos. A manifestação em Lisboa termina em Belém, com um comício sindical em que intervirá o Secretário-geral da CGTP-IN, Manuel Carvalho da Silva. No Porto, a intervenção central ocorrerá na Avenida dos Aliados e estará a cargo de João Torres, da Comissão Executiva da Intersindical.

Anteontem, a União dos Sindicatos de Aveiro adiantou que, dos vários concelhos e sectores de actividade, rumarão hoje ao Porto cerca de 700 pessoas.

As manifestações foram anunciadas no 1.º de Maio e pretendem ser uma forte resposta ao «acordo» que formalizou a ingerência em Portugal da UE, do BCE e do FMI (a troika estrangeira), aceite pelo Governo do PS com o apoio do PSD e do CDS-PP (a troika nacional).

Contra a recessão e o aumento do desemprego, das injustiças e das desigualdades, contra os cortes nos salários e nas pensões e o aumento brutal do custo de vida, a CGTP-IN apela à participação de trabalhadores, desempregados e população em geral, tanto para afirmarem o seu protesto contra as medidas graves preconizadas no acordo, como para contribuírem activamente para a mudança de rumo que, com a luta, é possível alcançar.

O roubo nos salários e pensões, o aumento do custo de vida (com mais impostos, taxas de juro, cortes nas prestações sociais), o encerramento e concentração de serviços públicos (a que se junta a eliminação cega de freguesias e municípios) e a continuação da política ruinosa de privatizações são as grandes áreas destacadas pela CGTP-IN. Trata-se de «medidas imorais, injustas e inadmissíveis», que «põem em causa os direitos e o nível de vida da população e o futuro do País» - afirma-se no folheto que a central dedicou à crítica do acordo.

Merece especial destaque o «ataque sem precedentes» aos direitos e rendimentos dos trabalhadores. As troikas pretendem, designadamente:

- limitar o valor do trabalho extraordinário a um acréscimo de 50 por cento sobre a remuneração normal, mesmo quando prestado em feriados e dias de descanso; acabar com o descanso compensatório; impor os «bancos de horas» mesmo contrariando a contratação colectiva;

- alargar os motivos de despedimento individual, tornando-o mais simples e mais barato;

- reduzir o subsídio de desemprego a um período máximo de 18 meses, cortando pelo menos dez por cento do seu valor a partir do sexto mês;

- diminuir as contribuições patronais para a Segurança Social e dar mais dinheiro desta ao patronato, para generalizar a contratação precária de jovens.

A CGTP-IN alerta que a aplicação de tal acordo «fará Portugal regredir dez anos na produção da riqueza» (prevendo-se um PIB em 2012 ao nível do de 2002) e «recuar tanto ou mais na sua dimensão social e civilizacional».

 

Outro rumo

 

Nas manifestações de hoje e nas lutas do dia-a-dia, mas também «nas eleições de dia 5 é necessária a participação dos trabalhadores, afirmando caminhos alternativos». A Intersindical defende, nesta perspectiva, a renegociação de prazos e juros da dívida pública, «para pôr a economia a crescer»; a valorização da produção nacional; a melhoria dos salários e das pensões; a garantia de políticas sociais para todos, especialmente os mais desfavorecidos; o investimento nos serviços públicos e nas funções sociais do Estado.



Mais artigos de: Trabalhadores

Só com a luta

As troikas estrangeira (FMI, UE e BCE) e nacional (PS, PSD e CDS) entenderam-se para lançar o maior ataque aos trabalhadores desde 1974, e só o desenvolvimento da luta pode travar o retrocesso social.

Ferroviários regressam à luta

Os trabalhadores vão voltar à greve ao trabalho extraordinário, dia 28, porque as administrações da CP e da CP Carga estão a desrespeitar o estabelecido no acordo que tinha levado à suspensão da luta.

Militares contra novas injustiças

Na Casa do Alentejo, em Lisboa, cerca de trezentos militares participaram, dia 12, num encontro promovido pelas associações profissionais de praças (AP), sargentos (ANS) e oficiais (AOFA), no qual «carreiras, regime remuneratório, suplementos,...

Greve contra boicote nos têxteis

Em Castelo Branco, o Sindicato Têxtil da Beira Baixa anunciou uma greve no sector, para dia 27, em protesto pelos sucessivos adiamentos das negociações relativas à revisão do Contrato Colectivo de Trabalho, por parte das associações patronais. A Associação...

Aljustrel quer produzir

Reclamar a extracção em pleno do minério da mina de Aljustrel, ajudando o País a produzir mais, a criar emprego e a aumentar as exportações foi o propósito da sessão pública de esclarecimento promovida, sábado, no Largo do...

Apresentação no Porto

Na quarta-feira, 11 de Maio, na Casa Sindical do Porto, foi apresentado o livro CGTP-IN: 40 Anos de Luta com os Trabalhadores (1970-2010), numa sessão que reuniu uma centena de pessoas, entre as quais Manuel Carvalho da Silva, Secretário-geral da central, João Torres,...