Resistência nos supermercados
A resistência de muitas trabalhadoras e trabalhadores e a condenação pública foi o que obtiveram os patrões dos hiper e supermercados que decidiram abrir as portas no 1.º de Maio, pela primeira vez desde 1974. Destacaram-se, pelas posições mais altas que ocupam na associação patronal da grande distribuição (APED) e pelas várias manobras e pressões exercidas a diferentes níveis, as cadeias Pingo Doce (do Grupo Jerónimo Martins) e Continente (do Grupo Sonae).
O PCP, numa nota divulgada a 29 de Abril pela comissão coordenadora das organizações das grandes superfícies, repudiou veementemente aquela decisão, assinalando que o feriado está consagrado na contratação colectiva e que os principais grupos económicos do sector apresentam lucros de milhões de euros, à custa dos salários de miséria que pagam e da precariedade imposta aos trabalhadores (a par da ruína de milhares de pequenas empresas de comércio, de agricultores e produtores). O ataque ao 1.º de Maio ocorre «à boleia das cedências do PS, do PSD e do CDS aos grandes grupos económicos», salienta-se no documento, reafirmando que os problemas do consumo interno se resolvem valorizando os salários, as reformas e as pensões.