Carências nos hospitais públicos

Desate-se o garrote financeiro

É de ruptura financeira a situação que hoje se vive nos hospitais públicos, em resultado dos sucessivos cortes impostos aos seus orçamentos pelo Governo. As carências são de vária ordem e fazem-se sentir em vários planos.

Governo corta na Saúde

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Crescentemente preocupado com este quadro está o PCP que voltou a inquirir o Executivo quanto ao modo como pretende resolver este problema, nomeadamente quanto a saber quando tenciona reforçar o orçamento dos hospitais por forma a garantir o seu bom funcionamento.

Depois de ter confrontado o secretário de Estado com esta questão na reunião da comissão permanente da AR realizada após a dissolução e marcação das legislativas (ver edição do Avante! da passada semana), Bernardino Soares reiterou o pedido para que o Governo preste esclarecimentos

relativamente a uma matéria que do ponto de vista do PCP é da maior importância, prendendo-se directamente com as condições de prestação dos cuidados de saúde dos portugueses.

É que, como refere a este propósito na pergunta que dirigiu ao Ministério da Saúde, têm vindo a aumentar as notícias que dão conta desse cenário de carência em alguns dos nossos hospitais, com pedidos aos familiares de doentes internados para que levem desde medicamento até fraldas, passando pelo leite, tendo havido, inclusivamente, pedidos de donativos financeiros como aconteceu na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa.

Lembradas são ainda outras situações igualmente graves como as que já foram relatadas pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses no que respeita há falta de diverso material clínico e terapêutico considerado essencial para o tratamento diário dos doentes.

A este panorama desolador importa ainda juntar o aumento das dívidas à indústria farmacêutica e a outros fornecedores, cujo montante importa conhecer, na opinião do PCP, para quem é inadmissível este garrote financeiro imposto pelo Governo PS aos hospitais públicos.

 

Por melhor saúde em Corroios

A motivar a preocupação do PCP está também o Centro de Saúde de Corroios, no Seixal, que reabriu após obras que não resolveram as insuficiências de que padecia.

«As antigas salas de espera foram transformadas em gabinetes médicos, pelo que os utentes têm de esperar para serem atendidos na rua ou nas escadas. Os actuais espaços de espera são ainda mais exíguos, face ao aumento do número de utentes, devido à transferência dos utentes sem médico de família provenientes do Centro de Saúde Moinho de Maré», descrevem os deputados Bruno Dias e Paula Santos na pergunta que dirigiram ao Governo, via Ministério da Saúde.

Com as mesmas instalações mas com menos salas de espera, nesta unidade de saúde a servir quase 40 mil utentes ocorrem ainda outros factos insólitos como seja o de as consultas para as mulheres grávidas serem no terceiro piso, sem elevador.

Acresce, como referem os deputados do PCP, que na freguesia de Corroios há mais de 20 mil utentes sem médico de família, carência de clínicos agravada com a recente saída de três deles por motivo de aposentação.

São estes problemas que a população quer ver resolvidos, o que não pode deixar de passar pela urgente construção de um novo Centro de Saúde em Corroios, há muito reivindicada pela população, comissão de utentes e autarquias.

Só esta nova unidade, no entender do PCP, permitirá a capacidade necessária para responder às necessidades dos utentes da freguesia e conferir condições de trabalho dignas aos profissionais que desempenham as suas funções nas actuais instalações do Centro de Saúde de Corroios.



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