Desumanidade à solta
Na Delphi continua a assistir-se à sistemática violação dos direitos dos trabalhadores e à imposição de medidas desumanas sem que haja das entidades competentes qualquer actuação que lhes ponha cobro. A situação chegou há dias por intermédio da União de Sindicatos de Setúbal ao conhecimento do Grupo Parlamentar do PCP e motivou de imediato um pedido de esclarecimento ao Governo no sentido de apurar qual o acompanhamento da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) em relação ao cumprimento dos direitos dos trabalhadores naquela empresa de capital norte americano, com várias unidades fabris no País.
No caso da unidade situada no Seixal, o que se sabe é que os seus 500 trabalhadores, cem dos quais temporários, estão sujeitos a ritmos de trabalho muito elevados, o que tem originado doenças profissionais «músculo-esqueléticas». Acresce ainda o facto de os trabalhadores, na sua maioria mulheres, terem de suportar condições adversas com temperaturas muito altas no Verão e muito baixas no Inverno, o que aumenta a probabilidade de ocorrência de acidentes de trabalho e agrava a predominância das referidas doenças profissionais.
Não menos grave, por outro lado, foi a imposição de medidas que os deputados comunistas classificam de «grande desumanidade» como sejam a retirada da pausa do lanche (mantêm-se apenas as pausas do pequeno-almoço e do almoço) ou a interdição fora dessas pausas de os trabalhadores poderem deslocar-se à casa de banho, a não ser com a autorização das chefias.
Razões de sobra, pois, para esta diligência da bancada comunista junto do Governo, a quem pede ainda que informe sobre os resultados das anteriores acções de fiscalização entretanto já desenvolvidas junto da empresa.