Grande resposta nos transportes

A greve de sexta-feira, dia 25, na CP, CP Carga e Refer, com uma adesão quase total e repercussão na paralisação dos serviços de passageiros e de carga, constituiu uma «grande resposta à intransigência» do Governo e das administrações, destacou o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, que voltou a acusar o Executivo de querer «manter uma situação que, mesmo sem conflito, aumenta os custos para a empresa e implica uma redução das remunerações dos trabalhadores».

Nesta luta – que encerrou mais uma semana de greves no sector de transportes e comunicações – está em causa a decisão do Governo de, para redução de custos, suspender as normas laborais negociadas e em vigor há vários anos (os acordos de empresa), e impor regras gerais da Função Pública, na organização do trabalho, sem ter em conta as especificidades do serviço na ferrovia, fortemente condicionado pela redução de pessoal que resultou de sucessivas «reestruturações». «Mesmo antes de os trabalhadores entrarem em greve ao trabalho extraordinário [a 26 de Fevereiro], responsáveis da empresa afirmaram que, com as regras da Função Pública, a CP só teria duas hipóteses: suprimir comboios ou admitir trabalhadores», lembrou, a propósito, o SNTSF/CGTP-IN.

A acusação do sindicato à administração da CP e ao Governo, por pretenderem o arrastamento do conflito, foi de novo reavivada perante o adiamento de uma reunião que a empresa tinha marcado para dia 23, alterando-a depois para dia 24 e, em seguida, para «o início da semana», mas que acabou por ficar para amanhã, 1 de Abril.

O Metropolitano de Lisboa parou e as estações encerraram, durante as manhãs de 24 e 29 de Março, em protesto contra redução ou congelamento de salários e direitos. Anteontem, durante esta última greve, um plenário de trabalhadores decidiu manter as paralisações já marcadas para terça e quinta-feira da próxima semana. Ficou tomada a decisão de prosseguir a luta, sob formas a definir mas que procurarão obter impacto na opinião pública.

Solidarizando-se com a luta dos trabalhadores, a célula do PCP no Metro apelou ao seu prosseguimento, porque «apesar da anunciada demissão do Governo, este continua em funções, as suas políticas continuam a ser aplicadas, os salários continuam a ser roubados».

No dia 23, a greve de três horas por turno na Transtejo e na Soflusa levou à interrupção das ligações fluviais no Tejo. Nesse mesmo dia, das 5 às 9 horas, estiveram em greve os maquinistas da CP.

Ainda nessa quarta-feira, de manhã, trabalhadores dos CTT organizados pelo SNTST/CGTP-IN manifestaram-se frente aos ministérios das Finanças e das Obras Públicas, contra o congelamento salarial desde há dois anos e contra a privatização. Nesta empresa termina hoje uma greve ao trabalho extraordinário, iniciada a 7 de Março.



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