«Vamos ter que lutar muito»
Num debate com dezenas de jovens realizado no sábado em Lisboa, Jerónimo de Sousa alertou que será preciso lutar muito para travar esta poderosa ofensiva do capitalismo que tem nas novas gerações o seu alvo privilegiado.
O debate, com o lema O Sonho tem Partido, foi promovido pela JCP no âmbito das comemorações do 90.º aniversário do PCP. E foi perante dezenas de jovens, trabalhadores e estudantes dos mais variados graus de ensino, que Jerónimo de Sousa afirmou que as novas gerações são as «mais fustigadas» pela brutal ofensiva desenvolvida pelo grande capital. Se tal sucede, acrescentou, é porque este as quer impedir de «tomar o gosto pelos direitos», pois «não se ama nem se defende o que não se conhece nem se conquistou».
Jerónimo de Sousa, que tinha 27 anos quando se deu o 25 de Abril, destacou as diferenças entre esses tempos e os actuais: «Antes, havia uma consciência operária e a força do número. Tínhamos uma força colectiva que, a par da violenta exploração, formava a consciência.» Agora, por exemplo num call-center, trabalham centenas de jovens em condições completamente diferentes, com pouca consciência de quem é o inimigo e de quem os explora. Um trabalhador com vínculo precário tem muitas vantagens para o patrão – para além de ganhar menos e ter menos direitos, tem mais dificuldades em se organizar e se sindicalizar e mesmo em tomar consciência da sua situação. E, citando Marx, afirmou que «só luta contra a exploração quem se sente explorado».
Assim, para o Secretário-geral do Partido, um dos grandes desafios que se colocam aos militantes da JCP é «conhecer a realidade e os problemas concretos» com que os jovens se confrontam na escola, no trabalho e na vida e actuar sobre eles. «Temos que ter noção do carácter indissociável entre a teoria e a prática», realçou, lembrando que a ofensiva tem conteúdos concretos, como a precariedade laboral, a privatização das cantinas escolares e consequente aumento dos preços ou as propinas – questões sobre as quais a JCP tem vindo, aliás, a intervir. Foi desta forma – conhecendo os problemas e aspirações dos trabalhadores e do povo e agindo sobre eles – que o Partido «cresceu e se desenvolveu», salientou.
Para Jerónimo de Sousa, uma coisa é certa: a juventude não receberá nenhuma «herança» dos mais velhos e terá que ser ela própria a conquistar direitos. É assim a luta de classes, que não só existe como não pára, afirmou o dirigente comunista.
Referindo-se à situação política actual do País, Jerónimo de Sousa prevê que «vamos entrar em curvas apertadas muito grandes» e que as eleições legislativas serão uma «batalha difícil». Mas «temos um Partido prestigiado, influente, com mais recrutamentos e organização, mais forte, e uma juventude comunista mobilizada que está lá, sempre na primeira linha do combate». «Temos isso tudo, mas pode não ser suficiente», alertou, realçando que «vamos ter que fazer das fraquezas forças e lutar muito».