Contra os cortes nas prestações sociais
A Organização Regional de Lisboa do Partido promoveu, no dia 22, uma acção de contacto com os utentes dos serviços da Segurança Social no Areeiro sobre os cortes nas prestações sociais.
Os novos critérios deixaram milhares de famílias sem apoios sociais
Nessa acção, que decorreu de manhã cedo, participaram vários dirigentes e militantes daquela organização regional, bem como os membros da Comissão Política do Comité Central Bernardino Soares e Fernanda Mateus. No folheto distribuído, que completava as conversas que era possível manter, os comunistas acusavam PS, PSD e CDS de terem imposto «novos critérios para atribuição de apoios sociais» que, na prática, dificultaram ou impediram o acesso de muitas famílias a esses apoios.
Como consequência destas alterações, milhões de portugueses viram ser-lhes cortadas – ou reduzido o seu valor – o subsídio social de desemprego, o rendimento social de inserção, o abono de família, o subsídio social de maternidade e paternidade ou a acção social escolar. A redução de apoios na habitação social, na comparticipação dos medicamentos e na isenção das taxas moderadoras, a par das limitações nos transportes de doentes, são também alvo das críticas dos comunistas.
Para o PCP há que não esquecer ainda as dificuldades que muitos beneficiários sentem na entrega das declarações por via electrónica e as longas filas de beneficiários nos centros regionais da Segurança Social «contendo inúmeras situações de desespero pela perda ou redução dos apoios ou prestações».
Face a esta situação, o PCP acusa o PS de, «sempre com o apoio do PSD e do CDS», ter prosseguido deste modo o seu «brutal ataque ao sistema público de Segurança Social, retirando mesmo o direito à protecção social e privatizando ou concessionando áreas sociais que possam ser lucrativas». Ao mesmo tempo, denuncia, os grandes grupos económicos e financeiros aumentam os seus lucros à custa também de múltiplas formas de isenções e benefícios fiscais.
Mudar de política
Há muito que o PCP vem manifestando a sua oposição a estas políticas promovidas pelo PS, PSD e CDS e apresentando alternativas. No verso do comunicado distribuído na acção de dia 22 lembra-se que o PCP apresentou em Outubro do ano passado um projecto-lei para revogar estas medidas e para a reposição dos critérios mais justos na atribuição dos apoios sociais, desenvolvendo diversas iniciativas e acções de protesto em torno deste gravíssimo problema social. Mais recentemente, a 18 de Março, exigiu saber, na Assembleia da República, através de uma pergunta ao Governo, «quantos beneficiários perderam ou viram reduzido o valor das suas prestações sociais e quantos ficaram sem esses apoios e prestações sociais, por ausência da prova de condição de recursos».
Considerando que os cortes nos apoios e prestações sociais não são separáveis do «ataque aos direitos dos trabalhadores à protecção social no desemprego e na velhice», o PCP sustenta ainda que o objectivo de PS, PSD e CDS é a «destruição do carácter público, solidário e universal do sistema de Segurança Social». Os comunistas apelam à luta em defesa do carácter público da Segurança Social, como está inscrito na Constituição da República».
Para o PCP, «não basta mudar de Governo, a situação do País exige que se amplie o protesto e a luta contra a política de direita, seja ela protagonizada pelo PS, PSD ou CDS».
Números da vergonha
No folheto distribuído aos utentes da Segurança Social do Areeiro, em Lisboa, o PCP adiantava alguns números que revelam a dimensão dos cortes nos apoios sociais entre Junho de 2010 e Janeiro de 2011:
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Baixou em 391 777 o número de crianças a receber o Abono de Família, sendo afectadas mais de um milhão de famílias;
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58 813 pessoas deixaram de receber o Subsídio de Desemprego;
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Foi reduzido em 62 752 o número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção;
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Milhares de alunos, designadamente do ensino superior, foram afectados pelos cortes nas bolsas de estudo e noutros apoios da Acção Social Escolar.