Cubanos trataram 40 por cento dos infectados
A brigada de profissionais de saúde enviados por Cuba para o Haiti já tratou mais de 30 mil infectados pela epidemia de cólera que, desde o início de Outubro, se propaga pelo país. Espalhados por 40 locais diferentes, os 1200 cubanos são responsáveis pelo atendimento de cerca de 40 por cento do total dos casos registados, número que envergonha os governos das principais potências capitalistas, palavrosos quando os focos estão acesos, incumpridores quando as objectivas e câmaras se afastam.
Acresce que os médicos e enfermeiros cubanos estão no Haiti desde o terremoto de 1998, prestando auxílio à população enquanto se sucedem catástrofes naturais e políticas.
Quando, no início do ano passado, um novo sismo devastou o país matando centenas de milhares de pessoas e deixando milhões de desalojados, os brigadistas cubanos já se encontravam no território, e nele permaneceram mesmo quando a maioria das equipas médicas estrangeiras abandonaram o país.
Desde o final dos anos 90, Cuba já formou gratuitamente mais de cinco centenas de médicos haitianos.
Declarações polémicas
Paralelamente, o ex-representante especial da Organização de Estados Americanos (OEA) para o Haiti, Ricardo Seitenfus, reiterou as críticas à presença militar internacional no país, censura que lhe valeu, precisamente, a destituição do cargo.
Para Seitenfus, as palavras que em Dezembro proferiu a um jornal suíço continuam a fazer sentido, já que, insistiu, «o Haiti não precisa de tantos soldados» mas de «engenheiros, técnicos e perspectivas de desenvolvimento socioeconómico», disse, voltando a referir-se à desproporcionada presença de soldados de vários países no âmbito da Missão da ONU para a Pacificação do Haiti.
«O Haiti não pode ser apenas cooperante da sua história. Tem de ser o centro [de decisão] da sua história», salientou o diplomata cujo mandato terminava no próximo mês de Março.