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Depois dos protestos de 10 e 24 de Novembro, os estudantes voltaram a sair às ruas do Reino Unido, no dia 30, anunciando novas acções para esta semana contra os cortes e aumentos das propinas.
Novas acções marcadas para esta semana
As universidades britânicas continuam mobilizadas para impedir a concretização dos drásticos cortes na Educação pública previstos pelo governo conservador-liberal.
A par de um corte geral no orçamento da Educação, as medidas incluem o aumento para o triplo do valor máximo das propinas universitárias, passando das actuais 2300 libras (3800 euros) para nove mil libras (10 300 euros) anuais, o que impossibilitaria muitos estudantes de aceder ou prosseguir no superior.
Mas os cortes atingem também directamente os jovens do secundário, já que o actual sistema de bolsas neste grau de ensino, EMA, (Education Maintenance Allowance) poderá ser eliminado.
As bolsas do EMA são destinadas aos jovens entre os 16 e os 18 anos que pretendam ir além do ensino obrigatório. Proporcionam-lhes uma ajuda financeira entre dez e 30 libras por semana, permitindo às famílias de menores recursos manter os filhos na escola.
No passado ano electivo cerca de 635 mil alunos beneficiaram destas bolsas. A sua extinção obrigará muitos deles a desistir do sonho de frequentar uma universidade. Por isso, as escolas secundárias têm-se juntado aos protestos do superior.
Professores e estudantes juntos
Consciente de que está em curso uma ofensiva sem precedentes contra o ensino público, também o sindicato dos professores universitários (UCU) aderiu publicamente ao movimento estudantil.
No dia 3, representantes do UCU e da associação nacional de estudantes (NUS) convocaram acções conjuntas para ontem, quarta-feira, em todo o país, e hoje, quinta-feira, dia em que está prevista a votação das medidas no parlamento.
O protesto em Londres começará com uma manifestação até às proximidades da Casa dos Comuns, devendo prosseguir pela noite com uma vigília, durante a qual serão acesas nove mil velas, simbolizando o valor máximo da propina que poderá ser exigida aos estudantes.
Já na manifestação de 10 de Novembro, o UCU esteve ao lado dos 50 mil estudantes e professores que desfilaram na capital britânica. Esta nova acção conjunta constitui uma forte pressão sobre o parlamento, sobretudo no que toca aos deputados liberais-democratas, e ao seu líder, o vice-primeiro-ministro Nick Clegg, que durante a recente campanha eleitoral prometeu não efectuar nenhum corte no sector da Educação pública.
Procurando justificar a quebra da promessa eleitoral, Clegg escreveu uma carta ao presidente da associação de estudantes (NUS), Aaron Porter, garantindo-lhe que as propostas do governo não impediriam nenhum estudante de aceder à universidade. Porter respondeu-lhe acusando-o de «traidor».
O descrédito do governo e a crescente vaga de contestação ressalta igualmente das palavras da secretária-geral do UCU, Sally Hunt: «Os deputados não devem ter dúvidas sobre a força da oposição a estes planos e das consequências de os aprovarem. Temos sentido um apoio esmagador das pessoas por todo o país no combate a estes planos (…) e continuaremos a opor-nos a eles».