Guerra imperialista no Afeganistão

Recorde de baixas continua a crescer

Com a morte de um soldado no domingo, o total de militares estrangeiros abatidos em 2010 no Afeganistão alcançou os 600. A cifra já havia superado há muito o recorde de baixas registado em 2009 - 521 militares mortos em combate -, mas no ano em que o próprio comando ocupante admite o aumento da resistência, o número de vítimas entre as tropas sob sua responsabilidade confirma, repetidamente, o atoleiro em que se tornou a guerra imperialista.

Dados oficiais indicam que dois soldados invasores morrem por dia no território. A grande maioria são norte-americanos, quase 1350 mortos, mas os civis são de longe as principais vítimas do conflito. A ONU estima em mais de 2400 o total de afegãos mortos em 2009, um aumento de 14 por cento face a 2008.

Anteontem pelo menos 25 pessoas pereceram na sequência de um bombardeamento da NATO no Sul do Afeganistão. De acordo com o governador da província de Helmand, Fazal Bari, citado pela AFP, o número era ainda provisório, dado que sob os escombros do edifício atingido podem estar mais corpos.

A solução dos ocupantes para evitar uma retirada humilhante (a derrota militar é incontestável), é a promoção de conversações com os chamados comandantes talibans, numa tentativa de salvar a face do imperialismo através de manobras de bastidores.

A verdade é que os supostos comandos talibans continuam a rejeitar publicamente qualquer diálogo, e mesmo os responsáveis intermédios por unidades da resistência recusam-se a acreditar que os seus líderes estejam a acordar um cessar-fogo.

«Ninguém chegou a sentar-se com o governo e não há esperança de que os talibans virão a negociar com as autoridades», disse um alegado comandante da província de Helmand ouvido pela Reuters. «Basicamente, nós ouvimos notícias sobre as negociações pela imprensa e não acreditamos nelas», acrescentou.

Entretanto, nem a mascarada eleitoral promovida pelos ocupantes e seus subsidiários é capaz de convencer que a invasão estabilizou o país e deu um novo fôlego à democracia.

Segundo a Lusa, a comissão eleitoral do Afeganistão invalidou, no passado dia 20, 25 por cento dos votos expressos nas «legislativas» de 18 de Setembro. Num total de 5,6 milhões de votos, 1,3 milhões foram considerados inválidos, quase tantos como os que mancharam a reeleição de Hamid Karzai para a presidência.

Sem corar, a ONU felicitou a comissão de eleições afegã pelo trabalho de supervisão embora tenha frisado que a anulação de 1,3 milhões de votos sugere a existência de uma fraude considerável.

 



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