Combate tenaz
Apesar de já aprovada pelo parlamento francês, a contestação à reforma do regime de pensões voltou a mobilizar, no sábado, 2, pela terceira vez consecutiva no espaço de um mês, cerca de três milhões de pessoas em todo o país.
Nova jornada de luta marcada para dia 12
Depois das jornadas de 7 e 23 de Setembro, os trabalhadores franceses voltaram manifestar-se massivamente em todo o país contra a diminuição de direitos de aposentação.
O projecto governamental, que começou a ser discutido anteontem, 5, no Senado, visa aumentar a idade da reforma de 60 para 62 anos, bem como o período de contribuições de 41,5 para 45 anos. Caso este último critério não seja preenchido, a aposentação só poderá ter lugar aos 67 anos, em vez dos actuais 65.
Apoiando-se numa forte disposição de luta dos trabalhadores, os sindicatos afirmam que não vão ceder: «Não recuaremos», declarou o secretário-geral da CGT, Bernard Thibault, que insiste em alterações substanciais na nova lei.
Do lado dos sindicatos, nos quais não há divisões a assinalar, estão todos os partidos da oposição, incluindo o Partido Socialista dirigido por Martine Aubry. Também a esmagadora maioria da população apoiam esta luta. Segundo a sondagem CSA, divulgada pelo L’Humanité, (02.10) 71 por cento dos inquiridos estão do lado dos manifestantes.
Ao mesmo tempo que as tensões sociais se agudizam em torno das pensões, a popularidade do presidente Sarkozy continua em queda livre. Segundo a sondagem TNS Soffres, publicada no sábado, 2, as opiniões favoráveis a Nicolas Sarkozy caíram de 30 para 26 por cento. Ao mesmo tempo, 72 por cento dos inquiridos afirma estar descontentes com o chefe de Estado.
Apesar de todos estes sinais, o governo insiste em levar por diante o seu projecto, procurando diminuir a importância e dimensão dos protestos.
Mas enquanto o governo francês conta com o declínio progressivo dos protestos, os sindicatos preparam a nova jornada de greves e manifestações, marcada para a próxima terça-feira, dia 12. O braço-de-ferro irá prosseguir.